parada_gay_salvador_bahia_2016_2017

Parada do orgulho LGBT e o sonho de marchar por direitos iguais

“Parada do Orgulho LGBT”, a 15 anos atrás, na primeira edição realizada em 2002 aqui em Salvador, o nome fazia mais sentido. Naquela época eu tinha 15 anos, estava me descobrindo e tinha beijado apenas uma garota, que também tinha a mesma idade. Inclusive foi por causa dela que estive na primeira edição da parada Gay e me lembro como se fosse hoje, tudo era tão novo, as cores, os olhares de interesse de outras garotas, a “viadagem”, e principalmente a forma de protestar. Estar na rua e ver tanta gente que gostava do mesmo sexo, homens que beijam homens e mulheres se beijando ao ar livre, assim como eu queria fazer, mas tinha medo, me fez ter dimensão do tamanho da comunidade a qual eu fazia parte.

Estar na primeira parada Gay de Salvador foi uma experiência transformadora, principalmente porque naquela época eu estava vivendo meu primeiro amor. Um lindo amor de adolescente. Essa história eu comecei a contar aqui no Blog, mas não tive tanto tesão para concluir e acredito que escrever seria mais uma forma de me lembrar das partes traumáticas. Mas sem dúvida seria uma bela história, caso algum dia eu tenha motivação.

Voltando a falar sobre a parada gay, naquela época tivemos 15 mil pessoas nas ruas, muitos trios, muita alegria, sem deixar de ser uma marcha a favor da diversidade. Apesar de ter sido a primeira, o movimento foi idealizado para valorizar a cultura local, com desfiles de baianas e outras referências à religião africana. Vale ressaltar que não tenho religião, mas acredito em tradições e preservação cultural e quem vem a Bahia, está mais interessado em conhecer a cultura local certo?

No ano seguinte, lá estava eu atrás do trio, ora gritando palavras de protesto, ora dançando ao som da música eletrônica. Nos outros anos também, até que tudo foi mudando e se tornou o carnaval fora de época que é hoje.

100 mil pessoas na rua, em comparação com as 15 mil do primeiro evento, fica muito lindo nas fotos dos jornais, mas não tem sido tão interessante para quem vai protestar a favor da causa. Muito roubo, muita violência em um protesto a favor da paz, homens agarrando mulheres a força. Lamentável. A marcha deveria ser a favor do amor, não importa a preferência sexual e qualquer tipo de violência deveria ser repudiada, repreendida, denunciada por todos.

Na última vez que fui, presenciei um homem levando um soco na cara, sabe porque? Nem ele, o cara apenas quis bater em alguém e ele foi a visita, muito parecido com a pipoca do carnaval.

Já faz alguns anos que não vou às ruas, e confesso que todo ano me sinto triste por isso. Um amigo uma vez me convenceu de que essa era a melhor forma de protestar em Salvador, já que outras formas de protesto não conseguem engajar tanto quanto uma festa. Convencida até passei a defender essa ideia.

Continuei defendendo a Parada Gay mesmo depois de ser roubada, mas depois dessa e de outras agressões que presenciei, depois de relatos de amigos, de pessoas que assim como eu, não entendem como são feita as seleções de bandas de música, escrevo esse relato triste e lamento muito, desejando que algum dia a Parada LGBTT, volte a ser realmente um sucesso.

parada_gay_salvador_bahia_2016_2017

Foto: Tribuna da Bahia, veja outras fotos aqui da parada gay 2016!

Acredito realmente que o Grupo Gay da Bahia esteve na parada. A importância do GGB é incontestável para o movimento LGBT nacionalmente falando, mas em relação a parada gay, esse trabalho pode melhorar.

Você já foi na parada gay da sua cidade? Conta pra gente nos comentários abaixo e vamos trocar experiências.

Related Posts

Leave a comment

Your email address will not be published. Required fields are marked.