Amor impossível

Esta é a história da primeira mulher que eu amei. Eu sempre me considerei bissexual, até que um dia me peguei apaixonada por Amanda. Eu já tinha feito amor com mulheres antes, mas eu também tinha passado por algumas consultas com o psicólogo. Então eu até então considerava essas minhas aventuras como apenas uma fase da adolescência. Obviamente eu não era gay, eu dizia a mim mesma, já que eu gostava de olhar para os homens. O que posso dizer? Eu era jovem.

Mas com Amanda… Bem, isso era diferente. Ela era diferente…

Eu era estudante de matemática na faculdade e também fazia o tipo geek, aquelas garotas que adoram tecnologia e, principalmente, computadores. Então quando chegou o verão eu decidi conseguir um estágio. Meu novo chefe era outro geek como eu. Um cara doce, mas socialmente inútil. Embora tenha sido muito simpático e solidário comigo quando eu cheguei. E, neste campo sexista, ele era verdadeiramente sem preconceitos.

Então, um dia ele me apresentou a sua esposa, que tinha vindo para busca-lo depois do trabalho. Essa era a Amanda. Querem saber qual foi a minha primeira impressão? Eu lhes digo. Uma senhora. Rosto delicado macio, cabelo marrom sedoso, enormes olhos castanhos, corpo curvilíneo. Uma pele super macia – Amanda tinha uma pele com textura de seda. Mas eu não sabia até então.

O que me impressionou no primeiro encontro foi a forma como ela se comportava. Era quase uma realeza. E então ela sorriu e eu estava perdida. Não um sorriso, na verdade, era um sorriso maroto – sútil, mas definitivamente, e, de alguma forma, sensual e atraente.

Durante toda a primavera e o verão que passei estagiando, fiquei o máximo que pude com ela. Ela amava dançar e fazia parte do grupo local e eu tinha os dois pés esquerdos. Então eu pensei, uma vez que havia muito mais mulheres do que homens na aula, se eu estivesse lá, ela iria querer me ensinar a dançar, naturalmente, ela iria ter que dançar comigo muitas vezes. Entenda – ela era uma mulher casada. Eu? Eu ainda era uma adolescente (eu tinha ido para a faculdade muito jovem) e, definitivamente, sem noção. Seu marido era ex-militar, com certificado de segurança e tudo mais.

O verão passado ficou marcado com esses grandes olhos castanhos refletindo o meu amor. Tudo o que eu tinha a fazer era sorrir e às vezes parecia que eu iria derreter. Eu, criança que ainda era, na verdade, pensei que estava conseguindo manter tudo isso em segredo, longe dela. Longe de admitir que eu estava apaixonada, eu não podia sequer admitir a mim mesma que eu a amava. Afinal de contas, ela não poderia corresponder aos meus sentimentos, pois ela tinha se casado por amor. E eu era uma tola.

Mas as coisas mudam! E o que mudou? Fomos acampar: Amanda, seu marido, eu, meu namorado na época e vários outros amigos. Uma amiga dela, em particular, que eu conhecia antes e sabia que ela era uma boa amizade para Amanda, mas nunca tinha passado algum tempo com ela e que nós sempre a chamávamos de dançarina. Lá estávamos nós, todos acampando juntos. Eu via Amanda passear o acampamento todo em sua camisa, na verdade parecia mais a camisa do seu marido, meu chefe, e eu continuava encantada. Eu a achava tão linda. Tanto que ainda me sinto atraída por mulheres que me lembrem a Amanda.

Então, em um certo dia, eu estava andando de volta para o acampamento com a dançarina. E tivemos tempo para conversar e nos conhecer um pouco mais, já que passamos vários dias de acampamento e estávamos nos tornando amigas. Então estávamos andando de braços dados, quando ela virou para mim e perguntou: “Você está interessada na Amanda ou você está apenas brincando?”

Eu fiquei sem chão. A Dançarina olhou para minha cara e disse “Opa. Melhor deixar o gato fora do saco, não é?”
Eu não me lembro como cheguei de volta ao acampamento – se eu andava ou corria. Pessoalmente, eu acho que só flutuava. A primeira pessoa que vi quando cheguei de volta ao acampamento foi Amanda. Eu estava tão feliz que eu pensei que eu iria entrar em combustão espontânea. Eu estava sorrindo intensamente. Ela viu minha expressão e também sorriu aquele sorriso dela que eu adoro, e disse: “Pô. A Dançarina lhe disse, não foi?”
E então ela estava me beijando. Sua boca tinha um gosto tão doce, e seu cabelo cheirava a… Vida. Eu a queria tanto que estava com medo de quebra-la em dois. Mas eu sempre fui protetora de Amanda, mesmo anos mais tarde quando já sabia que ela não era tão frágil quanto eu pensava.
Eu me lembro muito pouco do que dissemos uma a outra naquele momento. Mas era doce senti-la. Seu cheiro, o sol que brilhava através dos seus cabelos. Era tão mágico que eu mal conseguia lembrar do perigo que estávamos correndo, tão expostas.
Então fomos para outro lugar mais reservado e pudemos conversar enquanto trocávamos caricias. O meu desejo era tê-la em meus braços, mas isso infelizmente ficou só em meus sonhos e nas minhas fantasias quando eu me masturbava pensando nela.
Naquele dia, entre as árvores e sob carinhos e beijos tênues, Amanda me contou que era anorgásmica (pessoas que nunca tem orgasmo ou que tem dificuldade de chegar ao orgasmo, mas sentem prazer durante a relação sexual). Eu a segurei enquanto ela chorava. Seu sorriso para mim, ainda era o mais lindo, mesmo entre lágrimas. Debruçada sobre minhas pernas, Amanda ainda comentou sobre o meu cheiro extraordinariamente sutil e o quanto aquilo a deixava excitada, mas isso só a fez chorar ainda mais.

Naquele dia, eu senti que iria amar a Amanda até o dia que eu morresse. Provavelmente, além.

Agora? Eu a vejo raramente. Ela vive a um bilhão de quilômetros daqui. Isso dói muito, mas também me dá grande alegria de poder estar com ela. Ela me ama, mas nunca com tanta paixão quanto eu a amo. Eu a amo muito e o nosso amor foi decisivo para mim. Hoje sei que a minha preferência são as mulheres e isso é tudo por causa da Amanda.
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Todos os direitos reservados a Akai 1993, traduzido pelo Blog Eu prefiro as Mulheres.

Fonte: nifty.org

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