Romance erotico conhecendo o amor parte 3

Conhecendo o amor – parte 3

Começamos a compartilhar e comentar coisas no Facebook, todos os dias conversávamos, nem que seja uma conversa breve, para saber como foi o nosso dia. Era tudo muito natural, mas eu não podia negar eu estava completamente apaixonada por ela. E a cada dia, semana ou mês que se passava, ficava mais claro para mim que era difícil de pensar na hipótese de não conversar com ela, nem que fosse um pouco, todo dia.
Sexta de manhã ela me mandou uma mensagem, como em todos os outros dias. Mas o conteúdo era diferente: “Bom dia! Estava pensando em sair hoje, dançar, tem uma boate GLS muito legal no centro… Já fui algumas vezes… quer ir? Beijos. ”
Óbvio que aceitei. Eu conhecia bem a boate em questão: foi exatamente lá que eu conheci a maioria das mulheres que eu passei uma única noite.
Fiquei pensando o dia inteiro se eu deveria me abrir para Clara ou se estava cedo demais. E se alguém chegasse nela? O que eu faria?
Já fazia quase oito meses desde a primeira vez que saímos. Eu tive oportunidades de ficar com outras mulheres, mas eu não queria. Eu só queria a Clara.
Muitas vezes usei minha irmã como confidente e dizia tudo sem nenhum problema, mas era só vê-la que eu me desarmava e não conseguia.
Passei na casa da Clara e fomos para a boate. Lá, peguei uma bebida pra ela e, quando eu volto, vejo uma garota conversando com ela. Estava na cara que a menina estava dando em cima dela! Eu não sabia se eu ficava ali ou me aproximava. Então, tomei coragem e fui. Clara me apresentou a menina e eu fiquei num canto, do lado dela, enquanto ela ria e conversava com essa menina.
Resolvi sair dali, para não ver a consequência de tanta conversa. Chegava a ser humilhante ver que alguém além de mim conseguia arrancar tantos sorrisos dela.
Não demorou muito e uma mulher bem linda chegou em mim, mas eu tinha perdido meu humor e um pouco da minha educação e dei um jeito de deixar bem claro que não ia rolar nada.
Quando procurei ver como a Clara estava, percebi que ela não estava mais em seu lugar e fiquei louca. Fui procurar ela em todos os lugares até que a achei num cantinho, aos beijos com aquela garota. Eu não aguentei e fui lá tirar satisfação com a menina.
– Ei garota! Está louca?
– Que isso, Lú?
– Desculpa, mas meu assunto é com essa ai! Quem você acha que é pra sumir com a Clara?
– Calma, Lú! A Camila é gente boa. A gente só resolveu dar uma circulada pelo ambiente e achou esse lugar mais tranquilo.
– Meu papo é com ela, Clara! Diz aí, abre essa sua boca e me responde!
A garota se levantou e veio em minha direção com uma cara de ódio.
– Eu sou a garota que ela escolheu para passar a noite dela, já que pelo visto a sua companhia não é muito agradável.
– Se você disser isso mais uma vez eu juro que eu parto a sua cara em duas! Você perdeu a noção? Ela é uma cadeirante! Ela não pode sumir do nada, eu cuido dela!
Clara tentou amenizar a situação.
– Camila, desculpa pelo jeito da minha amiga. Eu tenho seu telefone, eu te ligo. Vem Luíza, vamos conversar fora daqui.
Saímos da boate, entramos no carro e fomos para a casa dela sem dizer uma palavra. Chegando na porta da casa dela, eu peguei sua cadeira e fomos conversar no jardim.
Eu sentia tanta vergonha do vexame que havia dado que preferi ficar muda.
– Você bebeu?
– Não, Clara.
-Ok. Então, você esta ciente do escândalo que você deu e da vergonha que você passou, certo?
– Preciso responder?
– Sim.
– Tenho consciência de tudo que falei e fiz.
– Olha, eu gosto de você, e muito! Mas eu tenho minha vida e eu me senti atraída pela Camila, assim como imaginei que você ficaria por qualquer uma ali, apesar de que não vi você com ninguém.
– Eu não fiquei com ninguém.
– Eu agradeço o cuidado que você tem comigo, mas não é porque eu sou uma cadeirante que eu sou tão indefesa assim. Você disse que eu não poderia sumir por aí porque eu sou uma cadeirante.
– Eu não quis te diminuir. Eu…
– Só eu falo! Agora você escuta! Eu sou sim cadeirante, mas eu não sou frágil ou inocente! Eu sou uma mulher eu tenho meus desejos! Você sabe como eu me tornei uma cadeirante?
– Não.
– Eu tinha 15 anos e estava voltando da escola com meu irmão mais velho, o Guga. No caminho, um pessoal parou na frente do carro do Guga e anunciou um sequestro. Fomos parar num cativeiro longe da cidade.
Eram 3 caras de capuz o tempo todo. Começaram a dizer coisas horríveis, dando a entender que eu era uma menina bonita, que iriam me fazer “mulher”. Foi aí que eu disse que não gostava de homem, que era gay e então eles começaram a passar a mão em mim.
Meu irmão ficou louco de ódio e os caras bateram muito nele, na minha frente! À noite, eu fui levada para outro cômodo da casa. Trancaram o Guga e os três abusaram de mim e o Guga escutando aquilo tudo. Foi assim que eu perdi minha virgindade. Depois de algumas horas acordei com eles gritando. A polícia havia achado o local.
Um dos caras me colocou no carro e saiu dirigindo por aí, só que a policia criou uma barreira com intuito dele parar. Foi aí que o carro bateu num poste. O sequestrador morreu e eu fiquei em coma por 43 dias, até que acordei sabendo que eu seria uma cadeirante. Também fiquei sabendo que um dos sequestradores, se sentindo intimidado pelo cerco da polícia em volta da casa, matou o Guga.
Ficamos em silêncio um bom tempo, ela chorando de um lado e eu de outro.
– Então Luíza, você acha mesmo que eu sou fraca? Eu passei por tudo isso, eu estou viva! Fiquei um bom tempo em depressão, eu fui violentada, sequestrada. Eu perdi meu irmão, o meu melhor amigo… Sabe, não é porque eu estou nessa cadeira que eu seja indefesa… Eu sou mais que essa cadeira, eu sou mais que uma coitada.
– Por que você nunca me disse isso?
– Porque quando eu e minha família mudamos de estado, eu decidi começar como se fosse do zero e eu não quero que ninguém tenha pena de mim.
– Eu nunca tive pena de você.
– Eu sei e é por isso que eu gosto de estar perto de você. Só te peço, não me trate como uma criança indefesa, principalmente perto dos outros.
– Desculpa, eu me descontrolei, eu fiquei sem chão ao te ver com outra pessoa, ver o quanto ela te fazia rir, principalmente quando ela segurava sua mão.
– Ciúme é normal. Amigas sentem ciúmes.
– Que droga! Não é ciúme bobo de amiga! Eu sou apaixonada por você desde que entrei na sala de fisioterapia da Helô e te vi.
– Como assim?
– Eu sou apaixonada por você! Completamente louca por você! Durante todo esse tempo que te conheço, tudo que eu venho sonhando é o dia em que você vai me dar um fio de chance, um sinal de que você sente algo por mim! Eu odiei aquela tal de Camila! Porque ela estava fazendo tudo que eu queria estar fazendo em você! Inclusive te beijando! Eu sempre fui dessas meninas como a Camila, que se tinha vontade chegava, seduzia… Mas com você eu me desarmo, talvez seja porque eu não sei como agir. Eu nunca me apaixonei e agora eu estou com quase 26 e acho que nenhuma mulher vive o primeiro amor com essa idade! Eu nunca fui romântica e eu não sei se eu seria. Na verdade, eu não sei de nada. Perto de você eu só sei ficar como uma boba que durante a noite fica lembrando de você, que fica suspirando e vivendo um amor platônico, sonhando com um dia poder ser seu par.
As luzes da casa dela acenderam, acho que eu gritei bastante. A Clara ficou me olhando com uma cara de quem não acreditava em tudo aquilo que eu dizia. Eu andava de um lado para o outro pensando na besteira que eu tinha feito. Bom, talvez não fosse, mas, naquele momento, eu não sei o que deu em mim. Tudo saiu com uma facilidade…
Clara não esboçava reação nenhuma então eu resolvi sumir dali.
– Seus pais devem estar vindo, eu te peço desculpas por tudo, principalmente pelo desastre de hoje. Eu acho melhor sair da sua vida e desculpa por aquilo tudo. Boa noite.
Saí de lá transtornada, nem sei como cheguei em casa dirigindo. Na minha cabeça eu só lembrava daquela cena dela beijando aquela mulher e a escutava dizendo tudo que ela passou. Foi o primeiro dia em toda minha vida que eu quis morrer.
Passaram-se dias, semanas e ela não me procurou. Eu estava muito envergonhada para poder procurá-la. Nesses meses meu aniversário passou, a vida seguiu, mas eu juro que não houve um dia em que eu não pensasse nela. A minha irmã até tentou me animar, mas como esquecer alguém como a Clara? Doce, forte, linda, confiante, bem humorada, carinhosa. Eu nunca tinha encontrado uma mulher assim.
Talvez eu não tenha encontrado porque eu era uma cafajeste de balada que só queria sair acompanhada com uma mulher de lá e no dia seguinte desaparecia.
Uma noite a Helô me chamou pra jantar com ela e o meu cunhado para distrair um pouco, já que eu não estava saindo. Resolvi ir. Chegando a casa dela, fui entrando e chamando-a. Imaginei que ela estivesse na cozinha, mas não estava. Continuei procurando. Fui até a sala e dei de cara com a Clara.
– Sua irmã não está aqui.
– Cadê ela?
– Foi jantar fora, depois pegar um cinema. Eu pedi para ela dar um jeito de conversar com você. Vi que você excluiu seu Facebook e fiquei sem saber o que escrever num torpedo ou o que falar quando te ligasse.
– Hum.
– Vamos conversar? Chega aqui perto, senta aí no sofá.
Me sentei, mas a vergonha era tanta que fiquei a maioria do tempo de cabeça baixa.
– Luíza, essa caixa do seu lado é pra você. Abre.
– O que é?
– Abre.
Era um ursinho de pelúcia com uma frase: eu te adoro.
Eu não entendia o porquê daquilo e estava muito monossilábica para fazer qualquer tipo de questionamento.
– Gostou?
– Sim! Nunca ganhei um desses.
– Bom saber que eu fui a primeira. Eu tinha comprado ele há um tempo, mas não sabia como te entregar depois daquela noite… É seu presente de aniversário.
– Obrigada Clara. Você me desculpa por aquela noite?
– Bom, desculpo se, pra começo de conversa, você voltar a me olhar nos olhos e depois me dar um abraço.
– Posso tentar.
Nos abraçamos de uma forma tão intensa, forte. Eu mal acreditava que eu estava sentindo a sua pele, o seu perfume de novo.
– Eu deveria ter conversado com você depois de tudo aquilo que você me disse, desculpa.
Desfiz o abraço e tentei sair do sofá, mas ela segurou minha perna e não me deixou sair dali.
– Ei, me escuta… Luíza, eu fiquei boba com o que você me disse… Eu me senti atraída por você assim que te vi, mas quando se está tentando se reerguer, sair de uma depressão, a sua confiança não é das melhores. Você só enxerga os pontos ruins em você e, meu Deus, você é tão linda, tão incrível! E, querendo ou não, eu sou uma cadeirante, você uma andante. Eu sei que você nunca me viu com limitações, sei que nunca me diminuiu pela minha condição e cada encontro que tínhamos eu só pensava o quanto você era incrível! E que você nunca iria olhar pra mim, não como eu te olhava.
Então eu coloquei em minha cabeça que nós duas juntas não era possível, que você jamais iria olhar pra baixo, olhar pra mim. Foi aí que eu comecei com a tarefa de tirar esse desejo de mim.
– Se eu soubesse que você sentia isso Clara, eu teria aproveitado pra dizer quando você ainda sentia.
– Eu ainda sinto e senti muito a sua falta. Ficou um buraco enorme em mim, um buraco do seu tamanho, um vazio.
– Eu também senti um vazio enorme.
– Sabe Lú, quando eu me vi cadeirante eu achava que nenhuma mulher iria se interessar por alguém numa cadeira de rodas e me fechei, lacrei para não gostar de ninguém até o dia em que pudesse ficar de pé e chamar uma mulher especial para um encontro. Só que hoje eu não quero esperar ficar de pé até porque eu não sei se um dia eu vou voltar a ficar. Posso segurar sua mão?
– Pode.
– Lú, você quer ter um “encontro” comigo?
– Você está me perguntando se eu quero sair com você?
– Não exatamente. Eu pedi comida italiana daquele restaurante maravilhoso que eu vou com a família e arrumei, com a ajuda da sua irmã, uma mesa ali na sala de jantar. Uma decoração mais romântica pra ser bem detalhista. Quer jantar comigo?
– Quero, lógico que eu quero.
– Ótimo! Vem aqui.
– Aqui onde?
– No meu colo, vou te dar uma carona. Já estou íntima da casa! Sei onde fica tudo.
Me sentei no colo dela e nem podia acreditar que tudo aquilo estava acontecendo. Jantar à luz de velas, comida gostosa e sempre que podia ela esticava seu braço para dar as mãos pra mim. Eu estava totalmente boba e incrédula de que aquilo era real.
– Tem uma musica do Tiago Iorc chamada Nothing But A Song, que toda vez que eu escuto, depois que te conheci é claro, eu me lembro de você.
– A musica fala de uma mulher atrapalhada com sentimentos ou extremamente sem jeito?
– Não boba! (risos) E você não é assim… Só um pouquinho. A música diz assim: “Eu quero te contar sobre o dia em que nos conhecemos e como eu me sinto quando você está me segurando firme. Ah, e como você mudou minha vida”.
– Nossa…
– Adoro quando você fica vermelha. Tive uma ideia. Vamos pra sala.
– Tá.
Fomos pra sala e ela esqueceu de me dar “carona”. Chegando na sala ela pegou sua bolsa e tirou seu celular. Ficou mexendo por algum instante e ficou me olhando com uma cara de quem iria aprontar.
– Prontinho! Senta aqui no meu colo.
– O que está pronto?
– A música, meu celular tem um som potente e está na hora dele ter uma real serventia.
Ficamos num silêncio absoluto ouvindo a musica enquanto ela movia a cadeira no passo da música. Fiquei olhando pros olhos dela e era como se uma paz viesse e tomasse conta de mim. Eu achei que poderia ser um sonho, mas no meio da música ela parou de movimentar a cadeira.
– Se importa se eu optar por te abraçar ao invés de mexer com a cadeira?
– De modo algum.
– Seu cheiro…
– O que tem?
– Está na lista de coisas que eu considero as melhores coisas do mundo.
Eu não resisti e a beijei com vontade, com intensidade, como se fosse o primeiro e último beijo que eu fosse dar em toda minha vida. Um beijo que descontasse toda a agonia que eu senti por achar que nunca mais iria vê-la.
Sentia as mãos dela segurando forte minha cintura. Eu só poderia estar sonhando!
Depois de um bom tempo, fomos diminuindo a intensidade, alternando com beijos leves depois nos abraçamos bem forte e ficamos ali, paradas.
– Vamos tentar, Lú?
– Vamos. Eu só tenho medo de não te fazer feliz. Você viu o quanto eu sou desastrada e não sei bem o que fazer com o que eu sinto por você.
– Será bem diferente a situação. Aquela noite você estava exaltada porque eu sumi com uma estranha e você ainda me viu beijando-a.
– Nem me lembre…
– Só que você não verá mais isso, porque a única pessoa que eu quero beijar é você. Agora repetindo a pergunta, vamos tentar Lú?
– Vamos.

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