romance erótico Convite a perdicao, aventura 3 parte 1

Convite a perdição, aventura 3 – parte 1

A despedida não foi fácil, deixar a Marcela e seguir viagem foi algo bem complicado para mim, mas mesmo ouvindo meus instintos, mesmo não tendo planejado nada especifico, eu precisava ir em frente. Conhecer novos lugares, experimentar outros temperos, outros climas, essas coisas.
– Você vai voltar?
– Claro. Não conseguiria não te ver mais.
– Está falando isso só para não me deixar triste.
– Não. Estou falando porque é verdade.
– Se você diz…
– Boba, é verdade sim. Eu vou passar aqui na volta, pode me esperar.
– Vou esperar então.
Eu a beijei levemente sobre os lábios, um beijo mais carinhoso do que quente. Lhe dei um abraço apertado e subi na moto, antes de colocar o capacete lhe olhei mais uma vez e disse:
– Eu vou voltar, me espera.
Daí acelerei e fui embora daquele lugar que havia me encantado. Deixei para trás uma doce pessoa que havia me feito apaixonar. É, acho que estava me apaixonando de verdade. Ixi, e agora? Será que isso seria algo bom? O que é que eu ia fazer se me apaixonasse de verdade pela Marcela? Como íamos manter esse relacionamento?
Parei na estrada e olhei para trás, uma vontade louca de voltar me consumia, mas não, eu não faria isso, eu precisava seguir em frente. Novamente acelerei a princesa e segui viagem.
Dessa vez fui rumo a Floripa, sim, Florianópolis. Cidade linda, encantadora, apaixonante e cheia de mistérios para ser desvendado, calor na medida certa, um friozinho para dormir à noite, e muitas pessoas bonitas para se admirar.
Cheguei ao anoitecer na cidade. Pelo avançado da hora, não deu para se ver muita coisa, dei uma volta de moto pela orla da praia e fiquei ali admirando as ondas, antes de procurar um hotel onde pudesse repousar, resolvi descer e dar uma volta pela praia, dar uma volta e admirar a beleza do local. Tirei meu tênis, coloquei-o dentro da mochila a joguei nas costas e sai andando.
Perdi o tempo que fiquei ali passeando, vendo as pessoas passarem por mim, vendo os grupos de amigos brincando, vendo os companheiros bebendo, vendo as meninas dançando. Nossa, nem vi o tempo passar, nem vi nada passar. Até que me perdi indo em direção a uma garota sentada na areia. Ela estava olhando para o mar, uma prancha de surf do lado, e jeito de moleca marota que encantava.
Me vi ali hipnotizada pela aquela garota e não sabia dizer porque, mas antes que eu me aproximasse, ela levantou, passou a mão pelo corpo para tirar a areia, pegou sua prancha, virou as costas para o mar e saiu em direção à rua.
Fiquei ali parada a observando ir embora. Depois eu segui seu exemplo e fiz o mesmo. Voltei todo o caminho até a princesa e subi para ir atrás de um lugar para ficar. Achei um hotel perto da praia onde estava, hotel Mar de Canavieiras, perto da praia do mesmo nome e também mais algumas que ficavam pelas redondezas. O lugar era bonito e agradável, fui bem recebida e muito bem hospedada. Olhei para o relógio, e decidi tomar um banho.
Depois do banho eu guardei minhas coisas no armário e desci para comer algo. Fui até um restaurante que ficava na rua lateral do hotel e lá sentei enquanto decidia meu pedido. Resolvi mandar mensagem para a Margarida.
“Ei gatinha, tudo bem? Agora estou em Florianópolis, ainda não conheci a cidade, mas me parece ser muito bonita. Beijo.”
Depois enviei também uma mensagem para a Marcela, fazia horas que havia deixado aquela menina, mas confesso que já estava morrendo de saudades.
“Oi linda, só para dizer que já estou com saudade de você. Cheguei bem, já me hospedei, e agora estou prestes a comer algo, depois irei deitar e amanhã de manhã desbravar essa cidade.”
Não deu nem tempo de escolher o que queria comer e a resposta logo chegou.
“Saudades é? Eu também estou. Eu conheço a cidade, é linda mesmo. Quem sabe não iremos juntas um dia.”
“Hmm, isso foi um convite?”
“Quem sabe… Já pediu sua comida? Vai dormir cedo? Pensei que poderia ouvir sua voz hoje, mas eu vou cobrar amanhã viu!?”
“Ok, amanhã prometo que te ligo, é que muito tempo pilotando cansa.”
“Tudo bem, não se preocupa, come direitinho e dorme bem. Um beijo.”
“Um beijo.”

Quando as mensagens terminaram, meu prato de salada havia chegado, eu estava com fome, mas não ia arriscar comer nada pesado para depois dormir.
No dia seguinte acordei animada para conhecer a cidade, dar uma volta, talvez conhecer algumas pessoas. Desci, tomei um café rápido, subi na princesa e fui embora. No caminho, algo me disse para voltar a praia onde estava na noite anterior, não sei porque, mas alguma coisa dizia que eu ia gostar de ir lá. Virei a moto e voltei o caminho.
Quando cheguei, ainda em cima da moto, tirei meu capacete e olhei ao meu redor, a visão foi realmente maravilhosa, eu não tinha certeza, mas apostaria que era a mesma menina da noite passada. Porém hoje ela estava diferente, um brilho maior no olhar, um sorrido maroto.
Me atrevo até a descrevê-la. Garota, marota, com a pele bronzeada de sol, um sorriso lindo no rosto onde se via toda a sensualidade e agressividade escondida por debaixo daquela feição de quem acabou de cometer uma arte, olhos feito um mar negro onde dava vontade de mergulhar só para desvendar o mistério que nele era estampado, seu corpo traduzia a vontade de viver, jeito de quem enfrentava a vida sem medo, de quem quando caía, levantava. Com sua prancha debaixo do braço, sua silhueta sendo moldada a luz do sol, sua pele dourada brilhava a cada movimento, a bermuda de neoprene deixava clara as curvas de seu corpo, a parte superior do biquíni segurava as gotas que escorriam do seu pescoço e colo, eu não tinha mais o que observar, só tinha uma coisa à fazer, eu tinha que conhecê-la.
Me aproximei de mansinho, esperei ela parar de falar com as pessoas próximas e então me posicionei ao seu lado. Fiquei olhando para o mar com cara de quem estava interessada, até que meu objetivo aconteceu.
– Você surfa?
– Não, só estou admirando o mar.
– Hm. Garota de cidade sem praia né?
– Como sabe?
– Primeiro você exala ser turista. Segundo, quem fica com essa cara de boba olhando o mar, é quem não o vê com frequência.
– Boba?
– Desculpa, não quis ofender. O “boba” foi de uma admiração infantil. Entendeu?
– É, acho que entendi sim. Mas na verdade, não estava olhando o mar com admiração infantil, foi uma tática que resolvi usar.
– Tática?
– Sim. Chamar sua atenção.
– É brincadeira isso, não é?
– Não, por quê?
– Não acredito que cai numa coisa tão besta dessas.
– Não foi besta. E se eu fosse você, me sentiria lisonjeada. Afinal, uma pessoa quis chamar sua atenção.
– E você acha que é a única que quer minha atenção.
– Olha, eu poderia não ser a única, mas com certeza, você perdeu uma admiradora.
– Perdi?
– Com certeza.
Dei dois passos para o lado e continuei olhando o mar, mas dessa vez, resolvi ignorar a presença ao meu lado. Não vou mentir, sua arrogância também era de um charme provocante, mas odeio concorrência, e percebi que ela era muito parecida comigo, isso era perigoso.
– Então vai ficar aí longe de mim?
– Hum?
– Você queria chamar minha atenção, conseguiu, e agora?
– Agora nada. Uai.
– Sério?
– Você quer o que? Acha que vou ficar dando moral pra você? Me diz, se você tem muita gente querendo sua atenção, por que está aqui querendo justo a MINHA?
– Porque eu quero a SUA atenção agora.
Pronto, se eu tinha dúvidas, agora tinha toda a certeza possível, ela queria jogar. O problema era, eu adorava um desafio.
– Bom, a minha atenção você terá quando merecer. Até lá…
– Até lá o que?
– Eu não poderei fazer muito por você.
– Hum, a moça é nervosinha então?
– Eu? Não, muito pelo contrário, sou estressada, mau humorada, mas nervosa não.
– Se você diz…
– Bom, eu vou dar um mergulho, quem sabe a gente se cruza por aí.
Sai andando em direção a moto para guardar meu chinelo e óculos escuros. E quando me virei dei de cara com a moça parada atrás de mim.
– Eu acho falta de educação sair e deixar a pessoa falando sozinha.
– Eu acho muita coisa falta de educação, mas não vou comentar.
– Você saiu e nem me disse seu nome. Me chamo Lara.
– Prazer Lara, Gabriela.
– Só isso? Gabriela e nenhum beijinho no rosto?
– Ai, ai. Ok.

Me inclinei para cumprimentá-la e só para provocar resolvi dar um beijo não na bochecha e sim mais pra trás, quase perto do pescoço. Senti sua respiração ir a fundo, e depois voltei ao meu lugar.
– Pronto, agora estamos devidamente apresentadas. Posso ir para o meu mergulho?
– Pode sim, mas se precisar de ajuda, só fazer sinal.
– Ajuda?
– Sim, você tem cara de que não sabe nadar direito.

Ela terminou a frase e saiu andando sem olhar para trás, eu fiquei ali parada, revoltada com a petulância da menina. Quando cai em mim, ela já estava em uma distancia razoável, e agora foi a minha vez de correr atrás dela.
– Você não disse que era falta de educação deixar as pessoas falando sozinhas?
– Ué, você não disse que queria mergulhar?
– Sim, mas…
– Então… Sem mas. Ué.
– Nossa, você consegue ser irritante, em menos de 1 hora eu já descobri que não deveria ter ido falar com você.
– Corrigindo. Eu falei com você. Você ficou lá parada, dizendo que era uma tática, mas eu acho que é porque não tinha o que falar.
– Não acredito que ouvi isso. Você se acha muito, não é mesmo?
– Pelo que percebi você não é nenhum poço de humildade também. Sua cara não nega.
– Não sou, mas isso não lhe diz respeito.
Dessa vez desisti de nadar e voltei para a moto, ela ficou parada e não veio atrás de mim, nem eu fui. Sentei na moto e fiquei olhando o mar para ver se a minha vontade voltava, não queria deixar aquela menina petulante estragar meu dia, afinal.

Não demorou muito e levantei para ir ao mar, mergulhei nele e fiquei alguns minutos viajando em sua água. Sai depois de um tempo, e a brisa fria tomou conta do meu corpo, corri para a moto a fim de vestir minha camiseta para poder dar mais uma volta ali pelo litoral e depois comer algo.

– Que bonita, é sua?
Olhei para trás e vi uma menina inclinada sobre a princesa.
– É sim. Obrigada.
– Legal andar de moto por aí, tá fazendo mochilão?
– Mais ou menos isso.
– De onde você é?
– São Paulo.
– Hum, legal. Sou Karla, prazer.

Ela se inclinou e me deu um beijo no rosto, um beijo como quem diz “oi” de verdade.

– Prazer Karla, sou Gabriela.
– Gabriela. Posso chamar de Gabi?
– Pode sim.
– Vai ficar muito tempo aqui em Floripa?
– Não sei ainda, tudo depende do que vai acontecer.
– Se estiver falando da Lara, hum, acho bom desistir.
– O que? O que tem a menina?
– Eu vi vocês duas conversando, e percebi um clima tenso no ar.
– Você a conhece?
– Sim, somos irmãs.
– E por que diz isso de desistir?
– Hum, digamos que a Larinha tem um problema muito grande de auto-confiança, e por isso gosta de brincar com as pessoas.
– Ah é?
– Sim, ela curte uns joguinhos de sedução.
– Hum, e já se deu mal alguma vez?
– Já se apaixonou uma vez, e acho que por isso que ficou assim, depois disso, tá aí o resultado.
– Quer dizer que ninguém consegue colocar a moça no cabresto?
– Mais ou menos isso.
– Bom saber.
– Por quê?
– Porque agora faço questão de tentar.
– Hum, pelo visto você é como ela.
– Não, não estou sofrendo de amor, e nem sou conquistadora, e nem nada do tipo, só gosto de desafios.
– Boa sorte então.
– Obrigada.
– Não agradeça, eu desejei porque você vai precisar.
– Nossa, agora que fiquei mais atiçada ainda.
– Você é doida, isso sim.
– Bom, gatinha, eu vou comer alguma coisa, e ir para o hotel, mas antes, faz um favorzinho para mim?
– Depende.
– Me diz onde sua irmã vai estar mais tarde.
– Hum, não sei se eu quero me envolver nisso.
– Não vou fazer nada de ruim, relaxa.
– Olha lá. Ela sempre fica aqui na praia mesmo. Pode aparecer que ela estará por aqui.
– Obrigada. Tchau gatinha.

Subi na princesa, e voltei para o hotel.

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