Conto Erotico DESEJO DE AMORA

DESEJO DE AMORA

Deseje-me

Depois de quase 6 horas de cirurgia, eu estava exausta, não conseguia nem me manter em pé, mas pelo menos a cirurgia foi um sucesso, o paciente ficaria bem, e eu agora ia poder procurar um canto para me esconder. Não pensem que sou daquelas que foge do trabalho. Não. Longe disso. Mas estou de plantão a mais de 17 horas. Vocês podem achar que é perigoso, mas fazer o que?! É essa a vida de uma pobre residente que quer uma vaga no hospital que sempre foi seu sonho trabalhar.
Bom, finalmente achei um lugar, não era o ideal, mas só havia 2 pessoas na enfermaria e 8 leitos, sendo assim, eu tinha 6 para escolher e finalmente poder dormir um pouco. Quer dizer, foi o que eu pensei, já que assim que fechei os olhos, ouvi uma voz ecoar pelo ambiente.
“Dra Tina, favor se dirigir a sala de cirurgia 3”

A frase se repetiu mais uma vez…

“Dra Tina, favor se dirigir a sala de cirurgia 3”

E eu tive certeza que deveria ir. Bem… essa é minha vida.

Sala de cirurgia 3, pronto, olhei a porta e não vi nenhuma movimentação de emergência, e se não tinha emergência, então por que atrapalharam meu sono de beleza?

– Te peguei.
– Aff, sério mesmo que você fez isso Flávia?
– Ah, eu estou elétrica, não consigo dormir.
– Que inveja. Já eu, estou exausta, e preciso dormir.
– Poxa, mas eu queria tanto contar a nova do Pedro.
– Sério que você quer que eu fique aqui e ouça mais uma de suas aventuras com seu noivo?
– Nossa, falando assim, até perdi a vontade de contar.
– Que bom, vou deitar aqui nessa maca mesmo. Me deixa dormir, por favor.
– Tudo bem sua insuportável.
– Não, sou um doce, e você sabe, só estou exausta.
– Verdade, você é um doce mesmo. Não tem como negar.
– Viu?! Agora boa noite.

Vi a porta da sala ficar ali no seu vai e volta até finalmente parar. Não parei de olhar Flavia até não poder mais vê-la. Isso porque eu a amava. Sim, isso mesmo que vocês leram, eu a amava. A amei desde a primeira vez que a vi, desde quando pisei nesse hospital pela primeira vez a quase um ano, e até hoje não consigo tirar essa mulher da minha cabeça.
Lembro que ela chegou aqui algumas semanas antes de mim, e com esse jeito feliz e animado dela, ela veio contente me receber e dar uma de irmãzona mais velha. Me mostrou todo o hospital e já grudou em mim.
Me encantei completamente, fiquei ali babando a cada sorriso, a cada palavra, quando me dei conta, já havia passado um ano e eu já estava louca de amor por ela, e infelizmente, tinha que aguentar o mala do namorado dela como pacote adicional. Isso tudo porque eu gostava de tê-la por perto. Era um sacrifício que tinha que fazer.
Perdi a noção de quanto tempo fiquei ali lembrando o tempo em que nos conhecíamos, até que peguei no sono. Não lembro ao certo com o que sonhei, só lembro que era uma voz me dizendo que eu não conseguiria nada se ficasse parada esperando as coisas caírem do céu. Tanto porque as coisas não cairiam do céu.
Coisas = Ter a Flavia para mim.
Acordei depois de uma hora de sono e decidida a conquistar a Flávia. Custe o que custasse. Ter sua amizade era ótimo, mas sinceramente, ela merecia mais do que o Pedro, muito mais, e esse mais era EU.

– E aí, acordou Bela Adormecida?
– Acordei sim, mas infelizmente não foi a minha Princesa Encantada que me beijou.
– Como é?
– Ué, tive que me contentar com o celular despertando.
– Ai, ai, e estava à procura de uma Princesa Encantada é?
– Procura não. Já achei, mas ela não me da bola.
– Opa, não pude deixar de ouvir isso. Então quer dizer que a Dra Tina tem uma princesa encantada em mente, porém essa não a quer. Que triste ein. Se quiser um Príncipe, só me ligar.
– Obrigada Mauro, muito obrigada mesmo, mas dispenso – Mostrei a língua para ele, e sai dando risada.
– Mostra essa língua aqui perto para ver o que acontece.
– Nada. Tchau Mauro.
Continuei andando e rindo. Vi que a Flávia me olhava como se não entendesse nada, mas isso não me incomodou, pelo contrário, acho que no fundo a surpresa da minha direta mexeu com ela.
– Está me olhando por…
– Eu te olhando? – Ela me interrompeu antes que eu terminasse de perguntar.
– Sim, você me olhando. Já ouviu falar em visão periférica?
– Boba.
– Sim, mas mesmo assim, você não vive sem mim – Essa era mais uma das minhas tacadas.
– Como pode ter tanta certeza?
– Tendo.
– O que aconteceu com você? – Ela parecia confusa.
– Como assim?
– Está diferente.
– Impressão sua.
– Se você diz. Bom, vamos embora, finalmente acabou por hoje.
– Uhum.
– Ah, nem me deixou te contar sobre o Pedro.
– Ai, droga, pensei que havia esquecido.
– Não mesmo, sabe o quanto acho divertido experimentar coisas novas, e além do mais…
– Que bom – Dessa vez foi eu que a interrompi, mas eu gostei muito de ouvir aquilo.
– Hm?
– Nada, prossiga.
– Não, agora diz.
– Naaaaada.
– Sua chaaaaaaaata.
– Mas você não vive sem mim.

Falei isso e sai em direção ao box, entrei no reservado, e comecei a tirar a minha roupa e jogar por cima da porta. Era algo que sempre fazia, só tirava a roupa já dentro do reservado. A Flávia sempre reclamava, já que ali era o vestiário feminino, mas sei lá, era mania minha.

– Meu pai, que mania mais chata de ficar jogando a roupa pela porta.
– A roupa é sua?
– Grossa.

Ri da reclamação.

– Você não queria contar sobre o Pedro? Estou toda ouvidos, já que agora não tenho como fugir, estou no banho né!?
– Agora está curiosa?
– Não muito, mas você quer contar.
– Afe. Não era nada demais mesmo. Deixa.
– Flá, com o Pedro, não deve ser mesmo.
– Nossa, que horror.
– Você diz que gosta de coisas novas, acho que precisa experimentar coisas novas de verdade.
– Como o que?

Abri a porta do box, e pela primeira vez sai nua de lá de dentro. Passei andando pelo lado dela, e abri meu armário.

– Esqueci minha toalha.

Ela ficou me olhando sem reação, e naquele instante eu sabia, sabia que ela havia entendido tudo, mas preferi deixar as coisas como estavam, melhor do que estragar pela afobação.
Me troquei, arrumei minhas coisas, e a deixei ali sentada, imóvel no banco do vestiário. Sai rindo, eu estava finalmente fazendo a diferença. Mas não pude deixar de pensar nos riscos, a Flávia era hétero, e ainda por cima namorava. Seria mais complicado do que parecia ser. Mas eu estava disposta a pagar o preço.

Parte 2

Fui para a casa, quando entrei, vi a minha mãe sentada no sofá vendo uma dessas novelas da tarde.

– Ei Dona Maria, que vício ein.
– Desde quando meu nome é Maria menina?
– To brincando Dona Manu.
– Melhor. Mas desde quando te deixei me chamar assim?
– Ai, ai, eu mereço. Boa noite.
– Boa noite? Mas ainda é de tarde.
– É de tarde pra você que dormiu normalmente, para mim, é noite, porque irei dormir agora. Beijo.
Fui até ela e lhe dei um beijo no rosto. Ela me deu uma palmada na bunda como prova de carinho. Sim. Era assim que ela demonstrava o carinho. E eu me desvencilhei dos apertões que viriam em seguida, e fui para meu quarto. Me troquei, e me joguei na cama. Antes de dormir, peguei meu tablet, abri o querido Facebook de todos nós, e lá estava uma atualização de status da Flávia.

“Desejos estranhos…”

Sorri. Eu tinha certeza de que isso era um bom sinal. Só podia ser um bom sinal.
Curti o status para ela ver que eu estava ciente do assunto, pelo menos eu achava que EU, era o assunto, e então fechei os olhos e dormi. Na verdade, acho que apaguei.
Mais de 12 horas de sono e finalmente acordei com a minha mãe batendo na porta do meu quarto.

– Tina, acorda. Você tem visita.
– Hmm?
– Dois. Acorda logo.
– Quem é?

A porta do meu quarto abriu e entrou nada mais, nada menos do que a Flávia.

– Sou eu, oras. Quem mais te visita?
– Nossa, só a senhorita sabe da minha existência é?
– Não, mas sei que sua vida social não anda muito animada, então…
– Ok, ok. Só você me da à honra da sua presença. Me da um minuto, preciso acordar de verdade.
– Te dou até dois.
– Acho que preciso de mais alguns minutos para fazer o que quero.
– O que quer fazer?
– Tomar um banho.
Sua cara de surpresa foi mais do que explicita, não era a respostas que ela estava imaginando, mas acredito que a resposta que eu queria dar, também não seria recebida muito de boa, como disse, teria que ir com calma para não estragar as coisas.
Depois de sai do banho, já vestida dessa vez, fui até a cortina, a abri, e fiz o mesmo com a janela para que além de claridade, entrasse um pouco de ar no meu quarto, já que fiquei em coma por 12 horas. Voltei e me sentei na cama de frente para a Flávia.

– Diga.
– O que?
– O que veio fazer aqui, ué.
– Vim te ver, ué.
– Hm?
– Quer dizer, tava afim de sair com minha amiga, não posso?
– Claro que pode, mas podia ter ligado.
– Não quis. Quis te acordar e pronto. Que cheiro bom, perfume?
– Não, meu sabonete.
– Nossa! Sério?
– Sim.
– E qual é?
– Vai ter que descobrir – Esperei que ela notasse a malícia nessa mina frase.
– Ai, ai – disse Fávia sem palavras.
– O que quer fazer?
– Não sei, vamos bater perna por aí.
– Tudo bem. Vai lá fazer companhia para a senhora minha mãe que irei trocar de roupa.
– Mas…

A empurrei para fora do quarto e fechei a porta. Minutos depois desci arrumada de forma casual, para que pudéssemos bater perna, como ela mesma disse.

– Pronto. Vamos?
– Vamos sim. Tchau dona Manu.
– Tchau meninas, e juízo.
– Afe mãe, sério mesmo que disse isso?
– E por que não diria?
– Nada, ai, ai.

Ignorei todo o resto que viria e sai de casa arrastando a Flávia antes que ela ouvisse um discurso lindo da minha mãe.
– Ta de carro? – Perguntei.
– To.
– Ai que bom – Comemorei.
– Ué, por quê?
– Porque não quero dirigir hoje, se você está de carro, poderei dormir no banco do passageiro.
– Mas não mesmo.
– Hum?
– Você irá conversando comigo. E que médica é essa que só quer viver dormindo? Sabe muito bem que dormir demais faz mal.
– Não, não sei nada. Isso são especulações, não existem provas concretas sobre o assunto.
– Whatever.
– Aaaah, ok.
Entramos no carro e como ela mesma disse, fui obrigada a ficar conversando e conversando, até chegar ao destino que ela escolheu. Shopping.
– Sério mesmo?
– O que é?
– Você me tirou da cama para vir ao shopping?
– Ué, você queria ficar em casa dormindo?
– Talvez. – Dei de ombros.
– Nossa, obrigada pela consideração.
– Ai, não seja dramática, por favor.
– Vamos logo, preciso fazer compras.
Sai como que arrastada por ela, para que ela pudesse comprar roupas e eu ficasse ali servindo de ajudante e consultora de moda. Foi quando uma luz me veio, exatamente, eu serviria de consultora de moda. Iria ajudá-la a escolher roupas e dizer se ficou boa ou não. As vantagens de ser mulher e lésbica.
Já na primeira loja ela começou a perguntar que roupas eu achava que mais combinavam com ela, antes mesmo dela experimentar. Eu só ria e ia escolhendo as que achava mais parecidas com seu estilo.
Ela foi provando uma á uma e eu ia dando meu parecer, estava divertido, e a maioria das vezes eu nem olhava partes que não eram para ser comentadas, e quando o fazia, era porque ela me pedia opinião.
Na terceira loja, ela começou a experimentar roupas mais provocantes e pedir uma opinião mais…, hmm… como dizer…? Uma opinião mais explicita sobre como as roupas estavam ficando em seu corpo, se ela estava atraente, provocante, etc.
Eu não havia chegado até ali para desistir agora, tive que aproveitar e entrar no jogo, só ficar ali, parada olhando e dizendo se estavam boas ou não, não iria me levar até onde eu queria.
– Sinceramente, eu acho que essa não ficou muito interessante em você, acredito que aquela blusinha vinho iria ficar melhor no seu corpo, combina mais com o tom da sua pele, e também ficaria com o decote mais instigante.
– Sério?
– Sim, experimenta.
Ela o fez, e dito e feito, nossa, que bela visão eu tive quando ela abriu a porta do provador e começou a “desfilar” para que eu observasse o caimento da blusinha junto com a calça que estava usando, nossa, quase babei, mas me mantive firme e forte, na minha melhor forma de indiferente, porém alfinetando.
– Olha, se eu não te conhecesse e se você fizesse meu tipo, eu tentaria algo.
– Como assim?
– Ué, você está linda. Ousaria dizer que, está gostosa.
– Nossa, sério isso?
– Muito sério.
– Mas por que não faço seu tipo?
– Porque não faz, ué.
– Não aceito essa resposta, tem que haver um motivo Tina.
– Não, não tem. Você só não me atrai.
Pronto, lancei essa e acho que ela caiu, porque o dia se passou com ela me provocando, se mostrando, atiçando, mas nada muito explicito, e sim bem subjetivo, discreto, e claro, eu estava adorando.
Depois de muito andar, muito bater perna, rir, gritar, porque convenhamos, ela conseguia ser encantadoramente irritante quando queria, nós decidimos comer algo, e naquele momento, onde duas pessoas sentam, ficam uma de frente para a outra é que as coisas começam a se desenrolar, já que tem aquele pequeno período de tempo onde o prato está sendo preparado e você está esperando o mesmo.
– Então Dra Tina, eu realmente não faço seu tipo?
– Sério mesmo que iremos falar sobre isso?
– Ah, só achei curioso. Não sou bonita?
– Eu não disse isso, bonita você é e muito, só não me sinto atraída por você.
– Mas isso porque somos amigas, não é mesmo?
– Acredito que não, mas pode ser sim.
– Você está diferente.
– Impressão sua.
– Não, não é.
– Ok, então estou diferente.
– Eu sempre te achei uma menininha, muito segura de si, mas uma grande moleca no fundo, brincalhona, palhaça, até parecia ser bem imatura as vezes. Mas não sei bem, me parece que agora você está mais mulher, mais madura, sua segurança, virou certeza absoluta, está decidida, sendo objetiva, e se impondo. Bem diferente daquela molecona que pensei que fosse o tempo todo.
– Nossa, sério que sou tudo isso aí?
– Bom, eu tinha esse pensamento sobre você, e confesso que estou surpreendida, e muito com essa sua nova fase.
– Ué, por quê?
– Porque é diferente.
– Mas isso é bom, ou ruim?
– Não sei.
– Hm, vamos comer.
O visor anunciou que nosso pedido havia ficado pronto, e fomos buscar, passamos alguns bons minutos comendo e sem falar nada. Até que decidi quebrar aquele silêncio desagradável.
– Sabe, não se sinta ofendida, eu te acho bonita, e sexy, o fato de você não fazer meu tipo, não significa que não seja atraente.
Era o momento de fazê-la se entregar, aquele joguinho estava engraçado, mas eu não estava mais afim de jogar, eu esperei muito tempo por ela, e não queria esperar mais.
– E quem disse que me senti ofendida?
– Pareceu.
– Pois se enganou, foi só curiosidade mesmo.
– Ok, então é bom que ficamos de boa.
– Sim. Mas qual seu tipo?
– Tipo?
– Sim, de mulher. Qual seu tipo?
– Mulher. – Sorri.
– Ué, não sou mulher então?
– Han?
– Você disse que eu não era o seu tipo, mas agora disse que o seu tipo de mulher é mulher, então não sou mulher?
– Aaaaah, você está preocupada demais com isso. Vamos terminar de comer e ir embora. Estou cansada de andar nesse shopping.

Fizemos isso, comemos, e finalmente ela me levou para casa, não que ficar ao seu lado fosse ruim, mas eu realmente não estava com clima para ficar passeando no shopping. Assim que ela parou em frente ao meu prédio, eu fiquei pensando mil coisas.
Se a beijava, ou se dava a entender que queria, se chegava bem perto, etc. Mas não consegui tomar uma decisão e me despedi normalmente com um beijo no rosto, e saltei correndo do seu carro.
Cheguei em casa, dei um beijo na minha mãe e fui para o meu quarto, estava cansada porque havia batido perna demais, mas pior do que isso, era o cansaço psicológico, o estresse que me atormentava. Me joguei na cama, e peguei meu notebook, naveguei um pouco pela internet e depois de mais ou menos uns 30 minutos que decidi entrar no face. Já estava lá a bendita da atualização de status dela, as roupas em cima da cama, e a legenda da foto era “Comprinhas em dia de folga com a melhor”, e eu estava marcada na foto. Nossa, ela nunca falou assim, será que está bem? Eu fiquei com aquele pensamento me atormentando um tempo, ela estava curtindo as minhas investidas disfarçadas, ou era coisa da minha cabeça? Poxa, como é ruim ficar nessa duvida. Postei em seguida no meu status, “Dia cansativo, isso que dá servir de personal stilyst de amiga, kkk, Flávia, você me deve uma.”. em seguida ela curtiu e comentou “Pago quando a gente se encontrar”.
Pronto, era uma indireta? Era brecha? Eu estava fantasiando?
Não iria saber se não investisse, não é mesmo? Eu teria que usar as melhores armas possíveis, e impossíveis também para que nada desse errado dessa vez, eu sonhava com aquela menina há anos, e ela só vivia para aquele namorado tonto que ela tinha, e venhamos e convenhamos quem sou eu para julgá-lo, mas o cara era um poia, na boa, ela era areia demais para o caminhãozinho dele. Eu daria conta do recado com certeza, e isso que precisava provar.
No dia seguinte ainda estávamos de folga, afinal, ganhamos a boiada de ficar 48 horas descansando lindamente, porém naquele dia não falei com ela, acordei, e dessa vez eu fui bater perna sozinha, fui fazer umas belas compras, iria impressionar, iria causar, iria conquistar. Munida do meu melhor decote, afinal, deus me abençoou com belos seios, iria vencê-la pela curiosidade.
Depois de passar e repassar meu plano, me preparei para dormir porque meu plano seria posto em prática no dia seguinte, e se Deus quisesse, daria certo aquele dia mesmo.
– Bom dia pessoal, tudo bem com vocês?
– Bom dia Dra, impressionante essa sua capacidade de ser feliz tão cedo. – respondeu uma das recepcionistas do hospital.
– Verdade Márcia, ela sempre está muito feliz, mas hoje me parece que tem algo a mais aí.
Nem precisei olhar para trás para reconhecer a voz da Flávia, que sorria e me olhava com cara de espanto.
– Bom dia Flavinha, algum problema?
– Não, é que… nada.
– Fala.
– Você está diferente, mas não identifiquei o que é.
– Certeza que não?
– Como assim?
– Nada.
Sai rindo da cara dela e fui para o vestiário me trocar para começar meu plantão.
Percebi que ela veio andando rápido atrás de mim, e continuei andando rindo, entrei no vestiário, abri meu armário, e comecei a tirar a minha roupa e pendurar no meu armário, ela ficava me olhando boqueaberta, deve ser porque ela nunca me viu fazendo aquilo, já que sempre que ia me trocar, entrava em um dos reservados, e ela mesma reclamava, e dizia que éramos todas mulheres e não precisávamos daquilo.
Em parte, tinha razão, não era bem timidez, mas sei lá, nunca gostei de expor em publico, mas naquele momento, ah, naquele momento o que mais queria era me expor para ela, queria ver a reação, os sinais, as caras dela. E estava dando tudo certo, até que entrou uma outra Dra que estava se preparando para ir embora após o final de seu plantão.
– Nossa Dra, nunca percebi que por baixo daquelas roupas existia tudo isso.
– Como?
– Me desculpa, mas não pude deixar de reparar nessa saúde. E me diz, você sempre faz plantões de lingerie?
– Não Dra Clarice, não costumo usar lingerie combinando todos os dias, mas não se sinta feliz, não irei ficar de lingerie, seria incomodo ficar o tempo todo com essas peças de renda.
– Verdade. Sinta-se a vontade para trocar.
– Ei, que conversa é essa?
Percebi a desaprovação no olhar da Flávia, e sem consegui me controlar, soltei uma gargalhada alta, e ela então se virou para mim com uma cara que eu preferia não ter visto.
– O que foi Flavinha?
– O que foi? O que foi? Ridículo esse joguinho de vocês duas.
– Calma, quem está fazendo joguinho aqui Dra Flavia?
– Ah Clarice, não me venha com esse papinho, você só faltou comer a Tina com os olhos.
– Nossa, desculpa, não sabia que estavam juntas.
– Isso não significa que você possa ficar dando em cima de todas por aí.
– Pera, calma. Não estamos juntas Clarice, somos apenas boas amigas.
– Ah é?
– Sim.
– Bom saber.
– Bom saber por quê?
– Flavia, relaxa, não irei roubar sua amiga. Ela ainda vai ter tempo pra você.
Assim que a Clarice terminou essa frase, a Flavia saiu revoltada do vestiário, e eu fiquei só olhando a cena, não pude acreditar no que estava acontecendo, ela estava sim interessada, ela estava sim dando sinais de que queria tanto quanto eu, era óbvio, mas a certeza veio quando a Clarice me tirou do meu devaneio.
– Corre atrás dela, antes que ela mude de idéia. – E riu.
Não deu tempo de mudar as peças intimas, e eu realmente ia, claro que não na frente das duas, mas ia, já que convenhamos, renda embaixo daquele conjunto de poliéster não era nada agradável. Porém vesti a roupa por cima e sai correndo procurando a Flavia pelos corredores do hospital, mas a minha busca foi em vão. Não a encontrei, então dei inicio ao meu plantão e decidi que assim que a encontrasse, iria tirar satisfação daquela cena.
Mas parece que para minha tortura psicologia, toda hora que nos cruzávamos era correndo para atender algum paciente urgente, e eu não conseguia confrontá-la, fora que ela não estava nem me encarando direito, não sei se por vergonha ou raiva, mas não estava, e vamos combinar, não tinha motivo para ela ter raiva de mim. Ou tinha?
Depois de longas 13 horas de correria total, o hospital acalmou, e o que fui fazer? Tomar banho e trocar a lingerie, claro. Entrei no vestiário, peguei a minha roupa, minha toalha, e meu sabonete, arrumei tudo no banco, e fui ligar o chuveiro para a água ir esquentando. Me critiquem, não ligo pra isso de desperdício de água, ligo de tomar banho frio, isso sim.
Tirei a minha roupa e entrei no box, deixei a água cair em meu corpo, fiquei alguns minutos de olhos fechados, descansando o corpo, a mente, a alma. Até que estiquei a mão para pegar o sabonete e percebi que não havia levado-o para dentro do box, droga, teria que sair molhada de lá de dentro.
– Procura por isso.
– Ah, oi Fla, sim. Esqueci do lado de fora.
– Hm, não sei se você merece que te dê –Agora era a Flávia que estava jogando.
– Poxa, não faz isso.
– Gostei do cheiro. Descobri da onde vem o cheio doce que sai de você.
– É, realmente ele é bem adocicado.
– Gostei do nome também.
– Desejo de amora – Eu disse.
– Deseje-me – Disse Flávia, mas eu não sabia se era ordem ou um pedido.
– Isso.
– Você deseja?
– Hm?
– Você me deseja?
– Como assim?
– Preciso desenhar? Não entendeu a pergunta?
– Entendi, mas por que isso agora?
– Porque quero saber.
– E se eu disser que sim?
Não deu tempo nem de piscar, ela entrou no box de roupa e tudo, me encostou no azulejo frio do fundo e começou a me beijar. A água caia sobre sua cabeça e escorria pelo seu rosto, e molhava nossas bocas que se beijavam intensamente. Ela foi aumentando o ritmo do beijo, mordendo minha boca, sugando minha língua. Eu fui me empolgando cada vez mais, até que inverti as posições e a dominei, beijei sua boca com tanto desejo que nem sei quanto tempo durou aquele beijo, desci pelo seu pescoço e a ouvi soltar um gemido, fiquei feliz, era o sinal que eu esperava.
Voltei para a sua boca, enquanto passeava as minhas mãos por entre a sua camisa molhada, que dificultava o acesso, mas aquela situação estava tão excitante que eu nem estava me preocupando com a dificuldade, esperei tanto por aquilo, que ia aproveitar ao máximo.
Minhas mãos finalmente encontraram seus seios, eu acariciei por cima do sutiã, e logo levantei o mesmo para poder sentir sua pele, imediatamente tirei sua camisa e logo o sutiã, ela então soltou a embalagem do sabonete que ainda estava em sua mão, o sabonete caiu no chão e abriu. O aroma dele invadiu minhas narinas e me fez lembrar do seu nome, o que me deu mais vontade ainda de possuir aquele corpo.
Desci beijando seu corpo, primeiro passeei minha língua pelo seu colo, beijei cada pedaço de pele macia que estava em meu caminho, continuei até chegar em seus seios que naquele instante já estavam rijos e implorando para que eu os possuísse. Primeiro acariciei com as mãos, e a ouvi soltar um suspiro alto quando levemente os apertei. Logo em seguida, beijei um, enquanto continuava apalpando o outro. Seus gemidos foram aumentando, e eu me deliciando cada vez mais.
Chupei seus seios com tamanha fome, que parecia que minha vida acabaria naquele momento, mas isso, só porque só eu sei quanto tempo esperei por tudo aquilo. Passava a língua em volta de seu bico rijo enquanto a unha deslizava pelo outro, e ela jogava a cabeça para trás e gemia gostosamente. Desci lambendo sua barriga, seu abdômen, passei a língua em volta de seu umbigo e me posicionei ajoelhada em sua frente. Olhei para cima e fiquei esperando que ela me encarasse, queria saber o que ela queria, o que ela estava pensando, se eu podia continuar.
Ela então me olhou, sua respiração estava acelerada, e seus olhos vermelhos, ela assentiu com a cabeça, com os olhos e com um sorriso safado. Eu não pensei duas vezes, abaixei vagarosamente sua calça, e passei lentamente as unhas pela sua bunda agora nua. Ela gemeu alto, e eu me arrepiei toda, continuei a tortura. A virei de costas para mim, e fique ali alguns minutos passando a unha pela sua bunda, coxas, pernas. Até que decidi subir passando a língua desde a coxa até sua nuca. Mordi sua orelha, e ela gemeu baixinho. Mordi seu ombro e ganhei outro gemido. Subia com as unhas pelas suas coxas, e agora ao invés de um gemido, ela falou.
– Vai…
Não precisava pedir de novo, deslizei minha mão para frente e comecei a acariciar seu sexo, ela estava completamente molhada, meus dedos deslizavam, ela gemia e mexia gostosamente. Sua bunda rebolava intensamente enquanto eu acariciava seu sexo intumescido, e com o movimento, meu sexo se contraia a cada momento. Ela foi intensificando os movimentos de seu corpo, e claro, eu ia aumentando o ritmo dos meus dedos em seu nervo.
Ela começou a gemer mais e mais, e para impedir seu de imediato, a virei para mim e a beijei intensamente, minha mão voltou para seu sexo, mas dessa vez, meus dedos deslizaram para dentro dela, e a penetrei. Ela se jogou para trás e soltou um grito gostoso que me deixou completamente louca de tesão. Fui aumentando o ritmo, as estocadas em seu sexo estavam cada vez mais forte, quando percebi que ela chegaria a qualquer momento no ápice do orgasmo, eu desci pelo seu corpo sem tirar os dedos de dentro dela. Ela entendeu o recado e ofereceu seu sexo para mim. Eu então levei minha boca de encontro ao nervo que me esperava, aquele nervo duro e pulsante que me fez perder várias noites de sono.
Comecei a acariciá-lo com a língua, passei levemente em torno dele, lambi lentamente, e então o chupei, chupei com vontade, desejo, fome. Ela gemia, se contorcia, pedia mais. Eu então comecei a movimentar novamente meus dedos dentro dela, enquanto a chupava fortemente.
– Vai Tina, vai. Não para.
Até parece que ela precisava pedir, óbvio que não pararia. Esperei tanto tempo por aquilo, que agora a coisa que eu menos queria era parar.
Continuei ali a chupando e penetrando com força, até que senti suas mãos puxarem meus cabelos, e seu corpo explodir em vários espasmos intensos, seu gemido foi alto, intenso, forte. Literalmente música para os meus ouvidos. Seu corpo foi amolecendo, senti sua perna tremer e a segurei antes que a força lhe faltasse.
Ela foi aos poucos retomando as forças e sua respiração foi voltando ao normal, eu subi beijando cada parte de seu corpo até chegar em sua boca. Ela me puxou forte pelo cabelo, e mesmo com a respiração ainda ofegante, me beijou demoradamente.
Ficamos ali nos beijando mais algum tempo sem dizer nada, até que ouvimos a porta do vestiário abrir.
– Dra Tina, você está aí dentro?
– Sim, quem é?
– Dra Clarice. Estão precisando de sua ajuda na emergência.
– Obrigada, estou saindo.
– Por nada… Ah, fala para a Dra Flávia que a ajuda dela também será de grande valia.
– O que? – Respondi num fio de voz, e morrendo de vergonha.
– Isso fica entre nós. Vistam-se logo. Tchau.
Eu não sabia que reação tomar, fiquei ali morrendo de vergonha, até que Flavia me puxou para ela e me deu mais um beijo.
– Vamos, a emergência nos espera.
– Ok, vamos.
– E ah, como boa aluna que sou, gostaria de mais uma aula dessas, para ver se aprendo direito.
– Ai, não acredito que ouvi isso.
– Ah, pensei que quisesse.
– Calma, não estou negando, só estou surpresa.
– Pois não fique. E avisa sua mãe que ela agora vai me ver mais na sua casa, já que ela vive reclamando que vou pouco.
– Ah é?
– Sim. E se vista logo antes que alguém entre aqui e te veja assim. Já basta Clarice que já sabe o que tem escondido debaixo do uniforme.
– Boba. Mas você que usou o que tinha debaixo do uniforme.
– Verdade. Vamos combinar que só quem usa sou eu?
– Tudo bem. Mas me diz, e o Pedro?
– Ciúmes já?
– Ué, você quer ser a única a freqüentar esse play aqui, e eu tenho que dividir?
– Não irá dividir, eu demorei pra enxergar, mas me toquei a tempo. Pode deixar que vou resolver isso assim que sairmos daqui.
Ela me beijou de novo, e fomos rumo à emergência, que naquele momento era mais importante do que nossas vidas amorosas.

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nine Comments

  1. Luizza On 2 de janeiro de 2015 at 15:19

    Óoootimo! Adorei, ta muito bacana 🙂

    • Daniela Katalyloa On 5 de janeiro de 2015 at 18:01

      Olá Luizinha, tudo bem?
      Gostou mesmo? Olha que acredito ein.
      Vou ficar convencida.
      Beijão moça.
      Aaah, segue no twitter: kata_alyloa
      e insta: @kata_dani_

  2. Sweet Lady On 2 de janeiro de 2015 at 20:30

    Meninas que conto gostoso …. vai ter continuação ?

    Ps: Estava com sdds do site 😀

    • Daniela Katalyloa On 5 de janeiro de 2015 at 18:08

      Sério que achou isso mesmo? Porque eu adorei a definição, “Conto gostoso”.
      Espero que ache isso de todos os outros =).
      Beijão moça.
      Ps. Tem twitter e insta? Se tiver, só seguir lá.
      Tt: kata_alyloa
      i: kata_dani_

  3. Leticia On 8 de janeiro de 2015 at 11:31

    Adoreiii o conto incrível vai ter continuação?
    espero que sim, pois já estou imaginado a Flavia na casa da Tina… (rsrsr)
    Vai faz a Continuação aguardando!!

  4. Daniela Katalyloa On 8 de janeiro de 2015 at 17:38

    Le, sua linda, obrigada pelo elogio *__*.
    Então… o conto tem continuação sim, porém não é com as mesmas personagens, são novas e em outra situação. Rs.
    Mas espero que goste mesmo assim. Já leu a série “convite a perdição”, essa é com a mesma personagem em situações diversas.

  5. Samara On 6 de março de 2015 at 0:12

    Ficou muito bom. Li gostando de cada pedacinho..

  6. Amanda On 15 de março de 2015 at 21:09

    Nossa!!!! Um dos melhores contos que já li, e olha que já li muita coisa. Parabéns minha linda eu amei e por favor nos presentei com mais contos da sua autoria.
    Bjs

  7. Laurea On 13 de agosto de 2015 at 21:21

    Olá, Daniela! Parabéns pelo conto e a propósito, li o Convite a perdição e achei incrível. Adorei ler cada conto :3
    Espero que você continue escrevendo, seus contos são empolgantes e você tem muita criatividade! Beijos.

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