O despertar

O despertar é o inicio da minha história, a história de como eu começei a me descobri e posteriormente me assumi para a família e amigos.

Conto lésbico – O despertar

Fevereiro de 2002

Era o primeiro mês em um novo colégio. Aos 14 anos, eu ainda era uma adolescente desajeitada, com roupas largas, formas arredondadas e também muito tímida. Mas isso nunca foi empecilho para fazer novas amizades. Em poucos dias, eu já era popular – e foi nesse período que conheci Dasha.
Dasha era caucasiana, 1,56cm de altura, tinha os músculos fortes, formas grandes, coxas grosas, quadris e costas largos. Seios médios e redondos como a lua cheia, cabelos recém-pintados, numa mistura de louro e castanho claro. Seus lábios eram recheados, seu sorriso o mais lindo de todos. Estava sempre perfumada e quando me encontrava me dava um longo abraço e um beijo no rosto, o mais gostoso que eu já tinha provado.
O que mais me impressionava, além da sua beleza, era o fato de que Dasha parecia não ter medo de nada. Ela manipulava tudo e a todos, nós não tínhamos controle de nada quando estávamos com ela. Mesmo assim, ela tinha respeito e admiração, não só de mim, mas de todos que a conheciam, mesmo quando mentia. E ela mentia muito.
Algumas semanas se passaram e fomos ficando cada vez mais próximas. Voltávamos sempre juntas pra casa, já que morávamos perto uma da outra, e aproveitávamos para conversar sem sermos interrompidas.

– Você viu que dia é hoje? – perguntou Dasha, entre um passo e outro.
– Hoje é… Quarta-feira?
– Você não assiste jornal? – perguntou ela, como se o mundo fosse acabar.
Antes que eu respondesse, ela continuou:
– Hoje é dia 20-02-2002 e, às 20h02min, os números podem ser invertidos e termos o mesmo resultado.
– Incrível – disse sem demonstrar interesse.
– Sobre o que está pensando? – ela perguntou cheia de charme.
– Tenho pensado muitas coisas, não saberia por onde começar – disse, tentando falar a verdade.
– O que acha de começar pelo começo? – ela perguntou, esperando a mesma resposta que eu.
– Eu assisti um filme ontem, Instinto Selvagem. Muito bom… A Sharon Stone beija uma mulher, a cena é muito boa.
– E o que isso te faz pensar?
– Não sei, sinto que um dia também vou beijar mulheres… não que eu queira, mas sei que vai acontecer – disse com medo.
– Entendo… É uma pena – ela disse com ar de desapontamento quando paramos na porta de sua casa.

Aquele dia só alimentou minha angústia. Sem conseguir me concentrar no dever de casa, eu tentava responder às perguntas que surgiam na minha cabeça:

O que está acontecendo?
O que estou sentindo?
Será que quero beijá-la?
Será que sou lésbica?
Será que ela sente o mesmo?
Será que o que estou sentindo é pecado?
O que acontece se alguém descobrir?
O que ela vai pensar se souber que estou sentindo vontade de beijá-la e outras coisas mais?
Será que ela também está sentindo o mesmo?
Será que ela é assim com todas as suas amigas?
De onde vem tanto carinho?
Será que devo conversar com ela?
E se ela se afastar?
Como será que ela vai reagir?
E se eu estiver enganada?
O que eu devo fazer?
(…)
Muitas perguntas, nenhuma resposta e também ninguém para conversar.

Enquanto as perguntas fervilhavam na minha cabeça, o ritual continuava dando início às tardes de aula. Como comentei, sempre recebíamos uma a outra com um longo abraço e um delicioso beijo no rosto.
Na rua estávamos sempre de braços dados, nossos corpos falavam uma língua que me deixava excitada e confusa. Eu fazia ideia do que estava acontecendo, mas tinha medo, não tinha certeza e mesmo com todos os sinais ainda temia pela sua reação.

Leia a continuação dessa história:

Conto A iniciativa

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