Amor impossivel por motivo de saúde

Para sempre, é impossível? – Conto – parte 2

Essa é a segunda parte de um conto romântico, conheça o final dessa história de amor impossível entre mulheres.

Para sempre, é impossível? – Conto – parte 2

Nos dias que se seguiram, não nos falamos. Quando eu telefonava, Joana não me atendia e, quando fui até sua casa, não havia ninguém. Pouco menos de uma semana após sua confissão, uma notícia me abalou. Eu estava em casa, pensando em onde ela poderia estar, quando minha mãe veio conversar comigo, com os olhos cheios de lágrimas e uma expressão de dor. Tentei imaginar o que era, e quando descobri, senti muitas coisas ao mesmo tempo.

Dor, surpresa, preocupação, saudade e mais dor. Foi um impacto muito forte. Disparei pela porta e, sem pensar duas vezes, fui direto ao Hospital, onde Joana estava. Quando cheguei, o desespero me dominou. Eu já não sabia o que pensar, ou o que deveria fazer.

Mas não me importava, eu precisava vê-la. Procurei o quarto, e, assim que o encontrei, bati na porta. Ninguém abriu. Olhei o quarto e não havia ninguém além de Joana. De costas para mim. Esperava que estivesse acordada, então ela se mexeu, olhou por sobre o ombro, depois abaixou a cabeça novamente.

“Sabia que não demoraria a me encontrar”, disse Joana, com a voz mais baixa que de costume.
“Por que você está aqui?”, perguntei.
“Muitos motivos…”, sua voz falhava.

Me aproximei e sentei a sua frente, queria ver seu rosto de perto. Ela me olhou por alguns segundos, depois fechou os olhos. Seu corpo estava cheio de hematomas, manchas escuras. Talvez não quisesse me dizer, mas eu precisava que ela me dissesse.

“Você não está bem, não é?”, perguntei, sabendo que a resposta era não.

Joana abriu os olhos e sorriu. Seu sorriso acendeu uma espécie de calor em mim, como se aquilo fosse parte vital da minha vida. Dei a volta na maca e me deitei ao seu lado, pondo a mão em sua cintura. Ela segurou minha mão e assim que o fez eu percebi que sua pele estava muito fria. Pude perceber, também, que ela respirava com dificuldade. Eu não queria acreditar no que estava acontecendo.

“Eu vou morrer”, ela disse num tom de voz totalmente frio. Eu estava chorando, de novo.
“Não, você não vai. Não vou deixar isso acontecer”, tentei dizer, lutando para engolir o nó em minha garganta. Ela riu, o que me fez chorar ainda mais.
“Você terá que aprender a viver sem mim garota…”, ela estava sorrindo, como se achasse graça de tudo que estava acontecendo. Aquilo me irritou um pouco, mas não disse nada. Seu corpo enrijeceu por um momento, depois tremeu, o que me assustou um pouco. “Isso é normal”, ela disse, como se tivesse lido meus pensamentos outra vez.
“Foi por isso que você pediu para que eu me afastasse de você?”, perguntei. Ela não respondeu. Seu silêncio era constrangedor. O único barulho que podíamos ouvir, era o dos aparelhos ao seu lado.
“Vou sair daqui amanhã”, disse ela, depois de tanto tempo em silêncio. Quase me animei. “Quero ir para casa, ficar perto da minha família”.

Esse foi o término do meu ânimo, quando entendi o que Joana queria dizer. Não questionei, apenas a abracei. E foi assim que aquele dia se seguiu. Fiquei até ela adormecer. Eu chorava só de olhar para seu rosto, só de pensar em perdê-la. Sua mãe estava lá também e só por isso consegui ir para casa. Mesmo assim não pensava em mais nada, o dia todo.

Voltei lá várias vezes e só saía daquele Hospital quando ia para casa, à noite. Não conseguia imaginar minha vida sem Joana. No dia que ela foi para casa, todos foram ao Hospital. Amigos, familiares, conhecidos, etc. Muita gente a admirava, pois ela era uma pessoa muito especial.

Durante a volta pra casa, Joana teve um pouco de dificuldade para caminhar até o carro, mas sua mãe estava sempre ao seu lado, como apoio e incentivo. Ver aquela cena me fez perceber o quanto eu a amava, o quão importante ela era para mim e o quanto eu queria que ela ficasse.

De volta para casa, quase nada havia mudado entre nós. Era quase como antes, nós ainda xingávamos uma a outra, discutíamos sobre seu gosto musical e eu ainda recebia criticas sobre o meu corte de cabelo. Era bom vê-la comigo, fazê-la sorrir enquanto podia. Eu sentia como se aquele tal “prazo de vida” fosse não só para ela, mas para mim também. Parecia que não existia vida sem ela. Mesmo assim fomos acho que fomos “levando” a situação.

Um dia, depois de eu ter criticado bastante a música que Joana estava ouvindo, ela parou, me olhou e sorriu como na noite em que eu descobri que a amava.

“O que foi?”, perguntei constrangida.
“Vou sentir sua falta, onde quer que eu esteja”.

Retribuí o sorriso e, por mais que já estivesse me acostumando com as lágrimas, senti meu coração apertar com cada lágrima que eu derramava. Na manhã seguinte recebi um telefonema de sua mãe. Ela havia piorado, e foi levada novamente para o Hospital. Fui até lá assim que soube. Quando a vi, meu coração disparou. Ela mal conseguia falar, então não exigi esforços dela. Fiquei sentada ao seu lado, falando sem esperar resposta.

Eu falava com Joana sobre coisas do nosso passado, quando ela me interrompeu. “Você fica linda quando prende o cabelo”, disse sorrindo. Sabia que ela havia reparado em meu cabelo, só não esperava que comentasse. Reprimi o riso. Ela segurou minha mão e a apertou, usando a maior força que pôde. Beijei sua testa, depois seus lábios. Ela sorriu e me pediu para que eu cantasse uma música. Sussurrei-a em seu ouvido. Então ela fechou os olhos… e nunca mais os abriu.

Joana faleceu naquela noite, em meus braços. Parece horrível, eu sei, mas para mim não foi. Era como se eu a estivesse ninando durante a noite e então caísse em um sono profundo. Eu sei que ela estava feliz em meus braços, e eu estava feliz também. Foi difícil para mim, deixá-la ir, mas agora é como se nunca tivesse partido. E quando me perguntam onde é que meu amor está, eu sempre respondo a mesma coisa: “Independente de onde ela estiver, estará esperando e olhando por mim, e nosso amor estará para sempre vivo nos corações daqueles que fizeram parte dessa história. Eu sinto que ela ainda está em mim, e para sempre estará”.

Leia também a parte 1 – Clique aqui!

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three Comments

  1. Camila On 25 de dezembro de 2015 at 15:26

    Realmente emocionante, Parabens!

  2. larisse On 13 de março de 2016 at 1:55

    Que história linda… Nossa muito linda mesmo…

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