Amor impossivel por motivo de saúde

Para sempre, é impossível? – Conto – parte 1

Para sempre, é impossível? Encontrei esse texto em uma página no Tumblr, não tinha título e dizia que o autor era desconhecido. Gosto de sempre dar os devidos créditos para todos os textos que posto e em especial esse, que quase me fez chorar. Fiz alguma alterações, mas digo que ele é meu, apenas adaptei ao site. Espero que gostem!

Conto erótico – Para sempre, é impossível?

“Houve um tempo em que eu acreditava em tudo. Em mentiras, em promessas, em destino feito por nós mesmos, em estrelas cadentes, em sorte e azar. Mas uma pessoa mudou isso em mim. Mudou o que eu pensava sobre tudo, minha visão sobre o mundo. Me fez Mudar os planos, meus princípios e verdades, meus desejos e vontades. Mudou minha vida, me mudou.

Eu acreditava que nós fazíamos o que quiséssemos, mas aprendi que nada é por acaso. Tudo acontece por uma razão. Joana era uma pessoa comum, no início. Não era importante, não fazia falta, mas isso mudou, e talvez tenha sido a melhor coisa que já me aconteceu… Eu passava por ela, na rua ou em qualquer outro lugar e a cumprimentava apenas por educação.

Era quase todo dia, em quase todos os lugares. Eu até já havia me acostumado com sua presença. É assim que uma amizade começa, mas não foi assim que terminou. Dávamo-nos as mãos, como um gesto simples de carinho, que para nós era comum. Abraçávamo-nos sem malícia. Conversávamos sobre toda e qualquer coisa. Frequentávamos uma a casa da outra, sempre.

Todos comentavam e estranhavam, mas nós não nos importávamos. Certo dia, depois de tantas conversas, Joana me perguntou algo que nunca havia perguntado. Me assustei, não com a pergunta, mas com a forma como perguntou. Ela costumava falar num tom de voz baixo, mas sussurrou a pergunta, com a cabeça baixa, sendo que ela tinha o costume de olhar nos olhos das pessoas com quem conversava, quem quer que fosse essa pessoa.

Joana me perguntou se eu já havia amado alguém. Era estranho, pois não havia nada que ela não soubesse sobre mim, pensava eu. Apesar de estar espantada, minha resposta foi sincera e tímida. “Não”, eu disse, observando seu rosto.

Joana gemeu alguma coisa que eu não entendi. Eu a observei por alguns longos minutos. Queria que aquela imagem ficasse para sempre em minha memória. Quando foi que eu olhei para ela assim? Quando foi que eu procurei imperfeições nela, e não encontrei? Como é que eu nunca notei a pinta que ela tinha no queixo, suas sardas claras, o formato de sua boca ou a mistura de verde e caramelo que seus olhos tinham? Como foi que eu nunca notei sua beleza? Joana era linda. Incrível e absurdamente linda. Queria ficar ali, para sempre, olhando-a sob a luz clara do crepúsculo.

Suas bochechas coraram, e eu percebi que aquele silêncio já estava constrangedor. Foi difícil ir embora, mas eu fui. Quando cheguei em casa, naquela noite, subi as escadas sem hesitar na porta e fui direto ao quarto. Imersa em pensamentos, deitei na cama, afundando o rosto no travesseiro. O que estava acontecendo comigo? Senti a necessidade de ouvir a resposta de alguém. Da minha melhor amiga, talvez.

Peguei o telefone e disquei o número sem hesitar. Joana atendeu rapidamente, com a voz rouca. Eu não disse nada. Algo na voz dela me imobilizou. Ela também não disse nada. Até o som do silêncio eu podia ouvir; era constrangedor. Eu quase pude ouvir seus pensamentos, junto a sua respiração. Queria perguntar mil e uma coisas, mas um nó se formou em minha garganta.

Depois de alguns minutos, consegui falar. “Como é amar?”, perguntei num sussurro fraco e rouco. Foi meio estranho perguntar. Um silêncio cruel e doloroso preencheu o ar. Queria acreditar que o som que rompeu esse silêncio, não era o som de suas lágrimas. Alguns outros minutos de silêncio se seguiram. “Ouvi falar que é estranho. E realmente é…”, ela começou. Esperei. “Ouvi falar que a gente perde o chão, que é como se um abismo tivesse se aberto abaixo dos pés…”, completou.

Ela parecia mais segura agora. “E é assim?”, perguntei. “Comigo foi diferente. Foi como se, pela primeira vez, o chão estivesse ali. Como se eu soubesse que poderia caminhar sem que nada me derrubasse.” Fiquei em choque, sem conseguir dizer muito. “Quem é ele?”, me arrependi de ter perguntado.

Joana soltou um suspiro pesado. Pude sentir a sua dor. Nós tínhamos algum tipo de conexão. Se ela sofria, eu sofria também e vice-versa. Não tinha como evitar. Silêncio. Novamente. Mais um suspiro e percebi que ela não responderia. Enfim, ela desligou.

Meus joelhos cederam e as lágrimas escorriam pelo meu rosto. Não tentei controlar, apenas voltei para a cama e abracei meu travesseiro. Percebi, então, que não era o travesseiro que eu sentia a necessidade de abraçar. Eu não tinha ideia do que estava acontecendo comigo. Queria tê-la por perto, para que ela pudesse me abraçar e confortar, com uma intensidade que nunca desejei antes.

Eu já estive apaixonada antes, mas nunca foi assim, tão forte que me fez chorar. A vontade de tê-la comigo, quase me fez levantar imediatamente e ir atrás dela. E então eu adormeci. No outro dia, acordei com olheiras profundas e pesadas. Havíamos combinado que nos veríamos nesse dia, como de costume. Eu estava tão feliz, tão animada com a ideia de que veria ela novamente que, depois de passar horas em frente ao espelho, achei que estava realmente bonita.

Mas ela não apareceu. Esperei por alguns minutos. Nada de ela chegar. Eu não conseguia acreditar que ela não estava ali. Só conseguia pensar que alguma coisa tinha acontecido. Joana não teria esquecido, nem tampouco feito para me magoar. Liguei para ela. Mas ninguém atendeu. Estava começando a me preocupar, então liguei para sua casa. Sua mãe atendeu, e me disse que ela havia saído algumas horas atrás; nervosa e sem dizer para onde ia.

Só havia dois lugares para onde ela ia quando estava nervosa. Para a minha casa ou para um prédio abandonado, onde gostava de ir para pensar. Se não estava comigo, só poderia estar lá. Fui sem pensar em outras hipóteses. Quando cheguei me senti aliviada por encontrá-la.

Queria me aproximar e perguntar o que estava acontecendo, mas não disse nada, apenas fiquei parada, olhando para ela. Ela ficou de pé, depois se virou para mim. Seus olhos estavam cheios de lágrimas. Era quase impossível controlar o impulso de sair correndo e abraçá-la. Quando dei alguns passos à frente, ela ergueu a mão direita, como se estivesse pedindo que eu parasse, e então parei.

“Não podemos mais nos ver”, sussurrou, tão baixo que foi difícil ouvir. Talvez tenha sido difícil pelo fato de eu não querer ouvir. Demorei alguns longos minutos para digerir aquelas palavras e a forma como ela disse num tom de voz frio e rude. “Você não me verá mais. Eu prometo”, continuou, com o mesmo tom de voz. “Não! Por favor, não!”, tentei gritar, mas o nó que se formou em minha garganta impediu que minha voz saísse no tom de voz que eu queria.

Disparei em sua direção, envolvendo-a em meus braços com a maior força que pude. Eu estava chorando. Joana não disse nada, e eu daria tudo para saber o que passava pela sua cabeça. “Por favor, não faça isso”, sussurrou com a voz rouca, entre soluços pesados. Eu não tinha ideia do que ela queria dizer, mas não me importava com quaisquer que fossem suas intenções. Eu não me afastaria dela.

Então seus joelhos cederam e ela caiu ao chão, junto aos meus pés. “Me diga o que aconteceu, quero te ajudar, por favor, deixe-me ajudá-la”, eu disse, baixo, mas ela ouviu.

Ela não me respondeu, e ainda soluçava. “Eu preciso que você me diga”, insisti. Ela se levantou com muito esforço, olhou em meus olhos e segurou minhas mãos com força. Alguns minutos se passaram até que ela falasse.

Meu coração parou por um instante, depois acelerou desesperadamente. Se um coração ao se partir emitisse algum som, acho que aquele era o som. As palavras que se seguiram, como o som de um vidro ao quebrar, ecoavam em minha mente. “Eu…”, hesitou por alguns segundos “… amo você. É por você que eu ainda estou viva, mas acho que isso já é meio óbvio. Eu lhe peço, que, para o seu melhor, se afaste de mim”.

Já se sentiu como se tivesse muitas coisas para falar e mesmo assim não conseguisse dizer nada? Eu estava assim. Perplexa. Paralisada. Imóvel. Então era a mim que ela amava? Desde quando? Como? Ela pareceu entender meus pensamentos, pois respondeu rapidamente.

“Eu não sei como ou quando aconteceu, mas aconteceu, e agora estou aqui, te envolvendo cada vez mais nisso e te pedindo para se afastar de mim. Será melhor para você”.

Por quê? Por que ela estava dizendo aquilo? Inspirei e expirei algumas vezes, para me acalmar. Não adiantou. “Você não quer isso… Se afastar de mim. Você não quer…”, consegui, enfim, dizer. Ela virou o rosto, sem conseguir fitar meus olhos outra vez. “Não…”, sussurrou. “… e talvez esse seja meu lado masoquista”.

Não queria que ela se sentisse daquele jeito, queria fazer alguma coisa para acabar com a dor dela. Por que eu senti vontade de correr e saltar daquele prédio? Por que meu coração doía tanto? Por que eu estava me sentindo daquele jeito? O que eu estava sentindo, afinal?

Abracei-a com força, mas ela lutava para se desprender de meus braços. Eu queria mantê-la para sempre ali, aninhada em meu peito, para tentar acalmá-la e desejei que ela nunca fosse embora.

A ideia de sua partida me fez derramar lágrimas, novamente. “Eu nunca vou te deixar, nunca! Entendeu sua idiota? Não vou deixar você ir assim”. Ela não fez piada daquilo, mas parou de lutar. Olhou em meus olhos, o que me fez tremer. Segurou meu rosto entre as mãos, acariciando-o por um instante, depois aproximou seu rosto do meu.

O contato de nossas peles me fez tremer. Segundos depois senti seus lábios nos meus; eram quentes e doces. O sabor mais doce entre todos os beijos. Não queria que aquele momento acabasse nunca. E quando se afastou, forçou um sorriso e disse, com a voz fina e baixa, “adeus”.

Leia também a Parte 2 – Clique aqui

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