conto erótico Tudo sobre ela

Tudo sobre ela – parte 1

Era uma vez seria um bom começo para essa história, caso fosse um conto de fadas. Tampouco era a primeira vez que eu me apaixonava, ou a segunda, ou a terceira. Não sei bem dizer.

Escritores se apaixonam com facilidade. Se apaixonam pela vida, por animais, por cidades, por lugares em meio a natureza, pelos amigos, por romances, por músicas e por uma infinidade de outras tantas coisas.

Somos movidos por paixões. Nossa escrita é baseada em nossas paixões. É sobre uma paixão que vou escrever agora.
Eu estava em horário de almoço no trabalho. Resolvi entrar em um blog para qual eu escrevia. Queria ver a repercussão do meu texto. Um comentário novo. Respondido. Puxei então o texto de outra colunista para ler. Os textos dela sempre me chamaram a atenção. Ousados, sarcásticos, autênticos. Foi então que além de ler, resolvi adiciona-la ao meu Facebook. Ela me aceitou em seu perfil fake pouco tempo depois. Conversamos um pouco.

Depois do trabalho saí para jantar com uma colega da empresa. Cheguei em casa. Tomei banho. Liguei o computador. Ela estava online. Conversamos. Eu não sabia seu nome, eu não sabia como ela era físicamente, eu não sabia nada dela além do perfil fake. Mas mesmo assim, o contato com ela mexia comigo. As horas passaram. Fui dormir.
No dia seguinte, durante meu horário de almoço conversamos mais. A cada contato as conversas ganhavam mais intensidade.
– Eu não quero saber nada de você. Mas, mesmo assim é difícil manter a curiosidade longe. – Eu disse.
– Como assim? Explique-se! – Ela perguntou.
– Acho que conhecer muito de um escritor ou de um músico, acaba estragando a obra. Você começa a entender a forma como ele pensa, o que ele sente. Começa a relacionar coisas da vida pessoal do autor a sua obra. E isso estraga. Por isso, eu não sei nada da vida pessoal dos meus músicos e escritores favoritos.
– Entendi. Então não falarei nada sobre mim.
– Vamos fazer assim: eu te conto como eu imagino você e você me diz se acertei.
– Combinado.
– Você trabalha com publicidade. Usa óculos com armação grossa. Tímida, apesar da ousadia em seus textos. Romantica. Cabelo curto com undercut. Prefere gatos. Apaixonada por comida japonesa. É sistemática. Namora. Mora no Acre. – Nada contra o Acre, mas fica bem longe de onde eu moro. E pela lei da atração lésbica, nós sempre ficamos atraídas pela garota que mora mais longe. É inevitável. Tudo bem, eu concordo que foi a típica descrição de uma lésbica contemporanea.

– Mais longe, impossível! Mas tudo bem, uso óculos com armação grossa. Trabalho com design. Prefiro massas. Não sou tímida, completamente o oposto dessa palavra. Cabelo comprido. Prefiro cachorros. Bagunceira. Solteira. Moro na mesma cidade que você. – Eu não usava perfil fake. Então ela sabia muitas coisas sobre mim, sem nem precisar me perguntar. Ela não me mostrou foto. Apenas continuamos conversando depois da confirmação da descrição.

No dia seguinte e no dia seguinte a esse, continuamos conversando. O meu interesse nos textos dela morria, enquanto o meu interesse na pessoa dela crescia. Eu a imaginava enquanto escrevia meus textos. Imaginava como seria seu cheiro, a cor do cabelo, a textura da pele, os lábios, o sexo…então, eu voltava para realidade.

Na próxima vez que conversamos, resolvi chama-la para sair. Ela aceitou. Marcamos em um bar. Eu estava sentada em uma mesa do lado de fora, quando vi que uma moça acenava para mim. Foi a primeira vez que eu a vi. Resolvi levantar e esperar por ela em pé. Na verdade eu estava muito nervosa e não sabia o que fazer. Até então, eu não sabia, mas aquela garota mexendo no cabelo do outro lado da rua, mudaria a minha vida.

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