romance erótico Um anjo veio me beijar parte 1

Um anjo veio me beijar – parte 1

Ano de 1998, minha vida mudou. Meu nome é Megan Morris, tenho 25 anos e sou escritora. Escrevo desde os 20 anos, mas somente a dois fui contratada por uma editora, a Bantan Books.
Sou morena, cabelos encaracolados, tenho 1,62 de altura, seios grandes, e olhos negros.
Moro em um pequeno vilarejo, com 1200 habitantes. Um pouco afastado da cidade, em um setor de fazendas, pois meu pai faleceu e deixou minha mãe com alguns patrimônios, incluindo essa grande fazenda, que fica uns 30 minutos da cidade.
Somos vizinhos dos Kreuk’s uma família tradicional da cidade. Me dou muito bem com a matriarca a senhora Eloise e também com seus filhos.
Minha mãe e Eloise são grandes amigas, então somos daquelas famílias que se juntam no fim de semana para o almoço, ou um dia agradável.
Eu e minha mãe temos uma vida mais reservada, minha mãe em particular é daquelas senhoras cheia de valores dos anos 20 (sério, chega a ser chato a postura da minha mãe, seu apelido carinhoso? Dama de ferro).
Minha vida amorosa, praticamente não existe, já tive namoradinhos. Mas só me apaixonei por um homem, Oliver. Alto, cabelo loiro, olhos negros e forte.
Nos apaixonamos numa festa típica da cidade, namoramos alguns meses escondido. Foi com ele a minha primeira vez também as outras vezes que eu estive com alguém.
Mas Oliver sumiu, em uma semana aquele romantismo foi demolido pela sua noiva, a quem ele escondeu esse fato. Para mim Oliver era solteiro. Mas ele se foi, desapareceu deixando um bilhetinho com o seguinte dizer:
Jamais vou esquecer de você baby, tenha uma boa vida.
Algo bem vago para quem fazia juras de amor para me levar para cama.
Não vou muito a festas da cidade, prefiro meus livros, minhas series e meu novo amigo o Finn, um filhote de dálmata que minha mãe me deu, quando dorme ele parece uma bola de sorvete de flocos.
Um dia eu estava passeando com Finn perto da fazenda numa estrada, quando ouço o barulho de uma moto, uma louca pilotando uma moto!
Finn ao invés de sair da estrada fica bem no meio, a saída foi a motociclista jogar a moto em cima de uns arbustos.
– Finn você esta bem meu Bebe?
Depois de parar em cima dos arbustos, a moça levantou a moto e furiosa tirou o capacete.
– Você pergunta do cachorro? Eu podia ter morrido!
– Quem mandou andar em alta velocidade nessa coisa ai.
– Ei, calma ai o nariz empinado! Eu estava em velocidade normal, você que está errada! Cadê a coleira dele?
– Desculpa, mas não estamos na capital, caso você não tenha percebido, vai querer o que? Que eu pague essa sua moto? Eu pago!
– Nem encoste na minha moto! Dela cuido eu! Cuide do seu cachorro. Eu amo cachorros…
– Ah sim estou vendo seu amor!
– Eu amo cachorros, mas pra tê-los precisa de responsabilidade, coisa que no seu caso…
– No meu caso o que?
– Deixa pra lá.
Aquela garota arrogante subiu na moto, sem dizer nada.
Passei o dia inteiro irritada com aquela garota, mas pra minha sorte não encontrei mais com ela.
Como de costume todo fim de semana aos domingos almoçávamos com a família Kreuk, conversando com a senhora Eloise, ela estava muito feliz! Fazia tempo que não presenciava tamanha felicidade, o motivo era sua neta que passou a adolescência longe da fazenda da sua família, se formou em medicina e morava em Berlim na Alemanha.
O senhor Eduard filho de Eloise e sua esposa a senhora Kristine, estavam felizes com a volta da filha, confesso que até eu já estava envolvida pela alegria que era contagiante, bom, isso até ver quem era a razão de toda alegria.
Seu nome Kaila Kreuk, mas conhecida por mim como a garota atrevida da moto.
Kaila também é morena, cabelos lisos cortados na altura do ombro. Olhos verdes e pela blusinha regata ela parecia ter seios médios.
Quando me viu ela sorriu educadamente, e eu confesso que não retribui da mesma forma.
Aquele almoço foi um saco, todos paparicando a Kaila, no meio de uma das conversas o pai de Kaila pergunta sobre uma tal de Alda.
Como minha mãe sempre é muito intrometida, foi logo perguntando a Kaila, se essa menina era sua irmã ou prima.
Mas Kaila Categoricamente disse, que essa menina era sua ex namorada.
A cara de minha mãe foi algo impagável, mistura de surpresa com uma careta que significava preconceito.
Os familiares de Kaila lamentavam o fim do namoro, enquanto minha mãe ficou emudecida, coisa rara de se ver.
O tempo foi passando, e a cidade inteira já sabia que Kaila era lésbica, todos comentavam as escondidas, alguns achavam isso normal outros horrorizados como uma mulher tão linda e inteligente como Kaila poderia ser gay, enfim coisa de cidade pequena que acha que gays são seres pecadores, feios e burros.
Aos poucos a cidade foi se acostumando com a Kaila, afinal ela era a única médica pediatra e era inevitável que cedo ou tarde todos precisavam de seus conhecimentos.
Quanto a mim, nunca me importei com sexualidade de ninguém, acho que cada um sabe o que faz, o importante é ser feliz.
A minha raiva de Kaila passou, afinal éramos vizinhas, tínhamos quase a mesma idade e sempre que conversávamos haviam coisas em comum.
Outras coisas que também não eram em comum, eu gostava de Spice Girls (só tocava o hit delas nas rádios, e eu particularmente amava Wannabe), o que já era motivo de sobra para Kaila tirar sarro de mim.
Se eu me trancava perdida em livros, series e escrevendo meus próprios livros, com Kaila era diferente, nos fins de semana ela estava andando a cavalo, fazendo trilhas e no seu lugar predileto o celeiro, um galpão bem retirado onde tinha de tudo, desde de cama, mini geladeira, som, seu violão e seu xodó ou seja, sua moto.
Do meu quarto eu avistava o celeiro, que nos fins de semana ficava com as luzes sempre ligadas.
Eu nunca tinha conhecido alguém gay, quer dizer todos devem já ter conhecido, só não sabia que aquela pessoa seria gay.
Isso fez questionar o porque de sempre escrever romances com casais hétero, o mundo cada vez mais se expandindo, pessoas se assumindo gays, celulares mais acessíveis, tudo se reformulava.
Eu aprendi a gostar da companhia de Kaila, por mais que de certo modo evitava, afinal minha mãe não via com bons olhos essa amizade, ela me dizia que as pessoas iam começar a falar coisas, a falar que eu e Kaila éramos um casal.
Em uma tarde, resolvi passear com o Finn, quando dei por mim estava na frente do celeiro e resolvi entrar, lá estava Kaila, com o violão sentada no sofá tirando um som, fim foi correndo até ela, só assim pra ela perceber minha presença, fiquei com ela a tarde inteira, e para minha surpresa, ela amava ler… Tinha uma mini biblioteca em uma estante de madeira, dos seus quase 20 livros 7 eram de minha autoria, o que me deixou mais surpresa ainda.
– Você tem livros meus?
– Tudo indica que sim, não pense que comprei somente depois que te conheci, gosto do jeito como você escreve e sou uma humilde admiradora do seu trabalho.
– Porque nunca me disse isso?
– Bom, quando nos conhecemos digamos que você estava muito brava comigo, era impossível ter um diálogo com você, e eu também estava nervosa.
– Fico surpresa de você gostar do meu trabalho, que livro você mais gosta?
– Definitivamente, o livro sete vidas, você foi muito feliz quando escreveu, sete personagens diferentes, com historias incríveis que eu confesso que achava que não tinha nada em comum, mas aquele capitulo 27 onde você começa a ligar a vida deles, é um belo de um capitulo.
– Meu Deus você realmente leu!
– Como não ler, você é boa no que faz, e não sou eu que estou dizendo… os números dizem, de sete livros 5 são Best sellers!
– Eu tenho sorte
– Não, você tem competência! Eu não posso dizer que eu tenho sorte com meus pacientes, eu tenho que ser competente de medicá-los.
– Ah… Mas nem se compara, você lida com vidas.
– Sim, e você também, um leitor usa os livros para viajar, conhecer pessoas, culturas ou até mesmo se projetar na vida de um personagem.
– Você usa os livros para que?
– Para conhecer culturas, pessoas e pra alimentar minha esperança de que ainda existe romantismo nesse mundo.
– Ah, tá… Agora você quer que eu acredite que você é romântica?
– Super romântica! A ultima eu diria não se fazem mulheres como eu.
– Palhaça (risos).
– E você? Tem alguém que te inspira nos seus romances.
– Sou uma escritora sem inspirações reais, mas sonho em tê-las.
– Você deve saber aceitar elogios, ainda mais sinceros como os meus.
– Eu sei, é que eu estou acostumada com minha mãe me perguntando quando eu vou parar com essa brincadeira de escrever historinhas e exercer uma profissão de verdade.
– Ah sua mãe é muito chata! Não escuta ela, faz o que seu coração mandar. Eu percebi como ela me olha por ser gay, ela é homofobica… Uma homofobica chata…
– Sinto por você perceber isso.
– Eu que sinto por dizer na sua frente que sua mãe é chata, e quanto a homofobia, bom, é desagradável, mas eu não quero viver uma mentira.
Conversamos muito, contei sobre Oliver, ela achou ele um babaca.
A partir daquela tarde ficamos cada vez mais amigas, até aprendi a fazer trilha com ela.

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