romance erótico Um anjo veio me beijar parte 6 final

Um anjo veio me beijar – parte 6 Final

Certo dia, eu estava escrevendo mais um livro e a Kaila estava no hospital onde trabalhava. Foi ai que recebi uma ligação dizendo que Kaila tinha desmaiado.

Chegando lá, ela estava descansando porem estava cheia de fios medindo os batimentos do seu coração, Aquela cena me assustou.

Ela estava acordada conversou com todos, quis ir pra casa mas os médicos acharam melhor ela ficar em observação.

Kevin se mostrou um ótimo filho nessas horas, cuidou de mim, visitava Kaila e sempre pedia pra ela ficar tranquila que ele estava cuidando do Finn(meu cachorro, o que Kaila quase atropelou, lembra?) e de mim.

Kaila precisava consultar-se em Berlim, eu e Kevin resolvemos ir com ela, até mesmo para que ele conhecesse outro pais, cultura esse tipo de experiência que é sempre válido ter.

Nos primeiros dias, Kaila ficou no medico, eu queria estar com ela, mas nós praticamente brigamos por causa da minha insistência em querer ir com ela ao médico… Ela acabou vencendo pelo cansaço e enquanto ela estava com os médicos, eu passeava com o Kevin por galerias, museus e livrarias, ainda bem que meu filho tinha o amor pela leitura tanto quanto eu.

Depois de 3 dias de intensa bateria de exames, Kaila foi liberada, e começamos a passear pela cidade realmente em um programa em família.

– O que os médicos disseram

– Que a doença está controlada, e que eu estou muito bem por sinal e vou viver muito!

Em um desses passeios, conversando sobre viagens futuras, Kaila revelou o desejo de parar de medicar, ter férias, descansar.

De certo modo eu concordei, afinal quem não gosta de ficar o dia inteiro do lado de quem se ama?

Quando voltamos para casa nosso filho estava extremamente encantado com planos de próximas viagens que iriam acontecer caso ele fosse um bom menino na escola.

Kaila pediu demissão do hospital e seus dias se limitavam a acordar tarde, buscar nosso filho na escola, e ensina-lo coisas sobre moto, e violão.

Assim passou-se meses, havia dias que Kaila estava cheia de energia, outros que ela só ficava na cama.

Eu sempre soube que sua doença era grave, mas de certo modo ver ela fraca perdendo toda sua vitalidade era terrível.

Um dia trabalhando no escritório de minha casa, ouvi Kaila me chamando, ela tinha perdido suas forças e não estava conseguindo levantar.

Consegui colocá-la na cama

– Obrigada amor

Disse ela totalmente sem jeito com o acontecido

– Odeio ter que dar trabalho para os outros…

– Eu não sou os outros Kaila, eu sou sua esposa!

– A esposa mais linda do mundo!

– Não, você é esposa mais linda do mundo!

– Já fui…

– Ainda é! Olha, combinamos que deu empate ok?

– Combinado

Ficamos um instante em silencio, apenas nos olhando

– Posso te pedir uma coisa?

– Claro

– Amanhã deixa eu levar nosso filho na escola?

– Tudo bem, eu vou com você

– Não, eu prefiro ir sozinha… Preciso comprar uma coisa

– Posso saber o que é?

– Sim, uma bengala

Eu fiquei surpresa com aquilo que ela disse, talvez seja o medo de perder as forças e cair…

Mas, eu sempre achei que bengala era coisa de pessoas idosas, Kaila tem apenas [idade?].

No dia seguinte, Kaila começou usar sua bengala, sua família e Kevin estranharam muito, mas Kaila estava relutante disse que queria usar aquela bengala.

– Mamãe, porque você usa essa bengala?

– Porque é um acessório

– Mas isso é coisa de velhinhos

– Não, olha, vou te ensinar uma coisa, você presta atenção e lembre-se disso pro resto da sua vida certo?

– Certo

– Toda pessoa, tem que ter um objeto que seja seu predileto! Algo que ela use sempre… ou que use as vezes, tipo um talismã

– O que é um talismã?

– Um objeto que te dá sorte

– Essa bengala é seu talismã?

– Não (risos) é um acessório… Um acessório que eu quero usar. Meu talismã é isso aqui.

Disse kaila tirando por debaixo da sua blusa, um colar com um lobo desenhado.

Um colar que ela nunca tirou.

– Que legal!

– Gostou?

– Muito!

– É teu

– Sério mamãe?

– Super sério! Olha estou passando meu talismã… O objeto que sempre me deu sorte vai cuidar direito?

– Prometo que eu vou

– Ótimo, cadê meu beijo?

– Te amo mamãe

– Também te amo… Tive uma ideia, que tal amanhã a gente aproveitar a tarde, assim que você voltar da escola e irmos pro celeiro mexer na moto e tocar violão?

– Posso levar o Finn?

– Pode

– Fechado mamãe

É muito bonito ver a cumplicidade que Kaila tem com Kevin , ela é uma ótima esposa, na verdade ela é muito boa em tudo! Esposa, mulher, amiga, filha, neta, medica e mãe.

Kaila se queixava de dores no corpo, mal podia encostar nela, sabia que não era frescura da parte dela.

Kevin e Kaila passaram a tarde inteira no celeiro, quando voltaram pra casa os dois estavam exaustos e felizes… Foi uma noite de sexta feira agradável, assistimos desenho animado, comemos doces, jogamos banco imobiliário foi uma noite boa.

Chegando no quarto me deitei ao lado de Kaila, e segurei suas mãos, já que seu corpo doía muito eu evitava de abraçá-la por muito tempo

– Sinto falta de você Megan

– Mas eu estou aqui amor

– É… Olha, estive pensando e amanhã vamos ter uma noite só nossa?

– Mas é o Kevin?

– Fica na fazendo com minha avó e meus pais… Meu primo está aqui com a família dele de férias, o Kevin adora brincar… Mas se você quiser não tem problema

– Claro que eu quero.

– Se prepare Megan amanhã você terá a melhor noite de sua vida! (risos)

– Todos os dias e noites do seu lado são os melhores da minha vida

Dei um beijo nela, e fomos dormir.

O dia passou e mal vi a Kaila, ela e Kevin sumiram e ficaram enfurnados naquele celeiro, e eu fui proibida de entrar.

A noite deixei Kevin na casa de seus avós e fui até o celeiro, que não ficava tão longe de minha casa e nem da casa dos Kreuk’s por isso fui andando.

Chegando no celeiro abri a porta e não podia acreditar no que ví.

Flores do campo, por todos os lados, uma mesa linda, enfim tudo prefeito.

Mas não encontrava a Kaila, até que escutei o som do violão ela veio do andar de cima do celeiro tocando e cantando a nossa música: Save me da banda Hanson.

Foi inevitável, eu comecei a chorar enquanto ela andava em minha volta tocando e cantando.

Assim que ela terminou, colocou seu violão encostado num barril e veio me abraçar.

Seu sorriso era contagiante, ficamos ali nos beijando e depois fomos jantar.

– Quando tempo você demorou pra preparar isso tudo hein dona Kaila? (risos)

– Com ajuda do nosso filho não demorou muito.

– Nosso filho é incrível

– E vai ser um homem incrível, de caráter, disso eu não tenho dúvida… Tivemos muita sorte dele ter nos encontrado.

– É verdade

– Ele vai cuidar muito bem de você

– Ele vai cuidar de nós

– É, hoje eu contei para ele como nos conhecemos, da briga que tivemos na estrada

– Ele deve ter rido muito

– Sim… Disse que não imagina nos duas brigando

– Ainda bem! (risos)

Depois daquele jantar, Kaila me chamou para dançar… Parecíamos estar numa boate, dançamos muito, mais de duas horas dançando. Me preocupou um pouco o fato de Kaila estar cansada, ela deve ter trabalhando muito pra enfeitar todo o celeiro, mas eu não ia estragar aquele clima com meus grilos…

– Eu te amo Megan

– Eu também…

– Faz amor comigo?

– Não precisa nem perguntar meu amor…

Nos beijamos de um jeito quente, senti ela me conduzindo até um colchão escondido la em cima no segundo andar do celeiro

Deixei ela tirar minha roupa e seus olhos brilhavam, ela tocava meu corpo com tanto medo, como se fosse a primeira vez que me via nua, tirei sua roupa e ela deitou sobre mim, Kaila beijava cada centímetro do meu corpo, sem pressa e por muitas vezes parava me olhando

– O que foi?

– Estou te fotografando na minha mente

– E gosta do que está fotografando?

– Megan, você é a mulher mais linda que eu já ví em toda minha vida

– E vai ficar só me olhando?

– Claro que não

Kaila é uma mulher tão linda… E eu a amo tanto que não demorou muito para que eu ficasse louca de desejo.

Sua boca tocando meus seios, seu corpo pressionando o meu, enquanto eu arranhava seu corpo, sentia seu gozo escorrer por entre as pernas, seu cheiro, seu gemido nossos corpos em perfeito sincronismo.

Ela fez um sinal para que eu sentasse no seu colo virada pra ela, seus dedos ficaram esperando para que eu senta-se em cima e ali começaríamos a nos amar novamente.

– Amor, estou te machucando?

Perguntei preocupada, afinal seu corpo inteiro doía há dias

– Eu sobrevivo a isso, relaxe.

Aquela noite foi magica, completamente exausta, me deitei do lado dela

– Obrigada por essa noite romântica

– Obrigada você por salvar minha vida Megan

Depois de muitos beijos trocados ficamos abrasadas, enquanto ela me fazia uma série de perguntas

– Megan, eu te fiz feliz?

– Pergunta sobre hoje?

– Sobre a nossa história

– Claro, sou feliz com você… Seremos felizes sempre! E eu, te fiz feliz?

– Muito… É bem louca a nossa história, quem nos via na nossa primeira conversa jamais diria isso…

– Verdade, é que a gente se olhou por tempo demais para sermos apenas amigas

– É verdade, você me fisgou apesar da briga eu te amei no primeiro momento em que te ví… E vou te amar mais ainda amanhã

– E eu vou te amar para sempre

– Eu quero que você seja feliz ok?

– Porque diz isso? Até parece que vai me abandonar! (risos)

– Só quero que seja feliz… é meu desejo ok?

– Ok

– Agora durma, você está cansada

– Nós estamos não é mesmo? Não vai dormir Kaila?

– Não estou com sono, por hoje vou ficar aqui, velando teu sono.

Adormeci nos braços de Kaila, acordei do mesmo jeito.

Um raio de sol invadia o celeiro e ela estava lá me olhando, sorrindo.

Vestimos nossas roupas e fomos almoçar na casa dos Kreuk’s

Chegando lá nosso filho estava jogando bola com seus priminhos, Kevin veio correndo em nossa direção logo me enchendo de perguntas

– Mamãe, gostou das flores que eu ajudei a mamãe Kaila colocar?

– Meu filho eu amei! Ficou muito lindo!

Sentamos todos a mesa, rimos muito das piadas do pai da Kaila

Mais tarde ficamos reunidos em família na varanda que dava vista para o quintal, tiramos algumas fotos enquanto Kevin brincava.

Kaila não soltava minha mão, e ficou observando tudo aquela tarde principalmente o nosso filho e eu.

– Ei Megan

– Oi amor

– Me dê um beijo?

Como negar um pedido desses? A beijei na frente de todos, e ela retribuiu de maneira apaixonada. Depois de um tempo nos beijando ela me disse:

– Obrigada, por tudo… Você salvou minha vida, eu te amo

Eu apenas sorri e disse que também a amava, ela se levantou do nada e foi na direção de Kevin

abraçou-o bem forte, mexeu no seu cabelo e sorriu.

Foi até sua avó, se ajoelhou e disse algo em seu ouvido.

Não estava entendendo aquele comportamento da Kaila, ela saiu da varanda e foi até o quintal, andando sozinha, já que todos estavam na varanda.

Quando ela se virou viu que eu estava olhando para ela e me sorriu, depois desse sorriso senti uma paz tão grande, e me virei para conversar com os que estavam na mesa.

Passado algum tempo Finn o meu cachorro começou a latir desesperadamente chamando a atenção de todos na mesa, quando olhamos na direção onde o Finn latia, vimos Kaila caída na grama.

Todos nós saímos correndo até Kaila para ajudá-la a levantar já que ela estava sem bengala.

Mas Kaila tinha partido, ela morreu.

2003 foi o ano mais triste da minha vida.

No funeral de Kaila o medico de Berlim veio, e no meio começamos a conversar

– Você disse para ela que ela estava bem…

– Desculpe senhora Megan, mas eu disse que ela estava desenganada, que a doença tinha tomado proporções irreversíveis, e provavelmente seria os últimos meses da vida dela.

Inclusive disse que o tratamento estaria encerrado, pois não podia fazer mais nada por ela, e ela até assinou um papel sobre o fim dos anos de tratamentos.

– Ela me disse que estava tudo bem

– Kaila, não iria te dizer o contrário pelo o pouco que pessoalmente a conheci.

Depois do enterro, sentada em casa, fiquei pensando nas coisas que Kaila me disse, e o afastamento do hospital para passar mais tempo com a família.

A noite de amor no celeiro, seu jeito de me olhar, tocar as coisas que ela me disse…

Eu sempre ouvi uma teoria em que algumas pessoas presentem seu fim, uma delas era Kaila.

Kevin apesar da dor de ter perdido uma mãe, se mostrou um menino forte, dormiu comigo para eu não me sentir sozinha nas primeiras semanas.

Era difícil olhar em volta e saber que não veria mais meu amor, abrir o closet e ver as roupas que ela usou, mas pela minha sorte eu não estava sozinha Kevin estava comigo, assim como a família Kreuk também.

Onze anos se passaram, e a ferida da perda dela, ainda dói…Sangra.

Continuo escrevendo meus livros.

Me peguei pensando em um novo tema para um novo livro e me lembrei de quando Kaila me perguntou sobre eu tinha alguém que me inspirasse a escrever, naquela época eu disse que não.

Hoje eu digo que sim, mais de que um diário de meus momentos com Kaila, tornar isso publico para que meus leitores fieis ou aqueles que vão começar a ler a partir desse, não foi uma decisão fácil.

É minha vida, é minha história de amor

Nesses onze anos ouve perdas Finn o nosso cachorro morreu, infelizmente dona Eloise também se foi.

Minha mãe também, apesar dela ter cortado laços comigo também sinto falta dela.

Hoje Kevin está com 17 anos, é um rapaz lindo com os olhos verdes idênticos da Kaila, não é só os olhos mas ele tem muito do jeito dela.

É carinhoso, tem um senso de justiça e ama tocar violão, inclusive aprendeu a tocar no violão que Kaila deixou no celeiro.

Kevin quer ser veterinário, e ama velocidade, a moto que era da Kaila que estava parada no celeiro, ele mesmo a consertou e anda com ela por ai.

Todos os meus amigos me perguntam o porque de eu não sair, de eu não procurar uma companheira. Não me vejam como uma mulher que não deu mais uma chance para o amor, é que eu estou bem!
Sinto que as pessoas acham que só se pode ser feliz se encontrar seu par… Bom, eu já encontrei o meu, mas infelizmente ela foi antes de mim. A felicidade não está no outro, e sim em nós mesmos. A partir do momento em que estivermos confortáveis com o que somos nos tornamos leves de alma, e sendo assim a felicidade vira consequência.
Kaila me ensinou isso, há se ela soubesse como ela me ensinou a viver. Ela tinha todas as razões para ser alguém depressiva, com baixa estima, sem vontade de viver… Como naqueles personagens de filmes que eles vegetam esperando a morte já anunciada com data e hora marcada. Mas esse não era o perfil de Kaila,
Kaila era aquela mulher que trabalhava muito, que gostava de se vestir bem, andar por ai na moto e tocar seu violão… Ela é o tipo de pessoa que ria das próprias piadas, que dava risadas até a barriga doer, que cantava no chuveiro ou que fazia uma dancinha ridícula só para fazer o outro rir.
Ela e a musica que o verão canta, o frio que o outono traz, ela conseguia ser cem coisas diferentes no decorrer do dia. Ela, sempre pareceu tão feliz no meio da multidão, seus olhos secretos e tão orgulhosos.
Pegarei suas risadas e suas lágrimas e delas farei minha lembrança. Ela é o que eu não consigo esquecer.

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Perdeu a primeira parte dessa história? Então comece pelo começo – Um anjo veio me beijar – parte 1

Gostou desta história? Então leia a próxima da Paula

Consequência ou destino

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