Um_novo_olhar_para_velha_vida_conto_erotico

Um novo olhar para velha vida

Tenho passado bons momentos com Bianca. Não estamos namorando, mas fazemos tudo como se estivéssemos. Parece estranho, mas para nós tem funcionado melhor do que nunca. Um dia desses aconteceu algo que nos aproximou bastante: um grande susto e me fez refletir sobre diversos pontos sobre a minha vida.

Estávamos em minha casa numa quinta-feira, depois de um dia inteiro de trabalho. Bianca decidiu fazer um ‘grude’ para o jantar e no meio do preparo ela acabou adormecendo. A fumaça escura e sufocante rapidamente tomou conta da cozinha e quando percebemos já não havia mais ar puro. Bianca e eu corremos, apagamos o fogo, abrimos todas as portas e janelas da casa para a fumaça sair e aos poucos o ar foi voltando ao normal. Desistimos do ‘grude’ e depois de alguns minutos fomos pra cama.

Ficamos namorando e curtindo o frio do meu quarto – acho que é o único lugar de Salvador que realmente se pode viver todas as estações do ano. Mas depois de algum tempo, aquele cheiro de queimado continuava a me incomodar e estava na dúvida se o cheiro era de queimado ou de gás. Tentei dormir e esquecer o cheiro, mas o meu sexto sentido (que nunca tinha funciono antes) me fez ir até a cozinha e ligar o interruptor. – Tac!

Quando ascendi a luz encontrei uma das bocas do fogão ligada. Senti como se o chão tivesse sumido sobe meus pés. Corri para desligar a boca do fogão e o botijão de gás, abri novamente as portas e janelas, liguei os ventiladores, e corremos para o lado de fora da casa. Tive que fazer tudo isso com as pernas bambas e o corpo trêmulo.

Aquele gás era ainda mais perigoso do que a fumaça. Meu hábito de acender a luz poderia ter levado a casa pelos ares, mas por outro lado se eu não tivesse levantado para dar uma última olhada, aquele teria sido nosso sono eterno, dormiríamos para sempre (ou pelo menos até o gás encontrar uma fagulha).

Me senti angustiada e era difícil controlar a tremedeira, o nervosismo, o susto provocado pela situação toda, parecia cena de novela, de filme de terror ou sei lá. Nós beijamos a morte e por pouco, não sei o quanto ao certo, mas por muito pouco, nós não a abraçamos e deixamos ela nos levar.

Pensei em tudo que eu deixaria de viver nos próximos dias; pensei que eu nunca mais beijaria minha mãe ou ouviria o seu “eu te amo”; lembrei da inocência da minha sobrinha de 3 anos, de ouvir ela me chamando de tia e do seu sorriso cheio de sinceridade ao me encontrar; lembrei da minha satisfação em ler os comentários no blog. Tantas emoções me fizeram explodir em um choro infantil e cheio de soluços.

Dormi cansada nos braços de Bianca, que não desgrudou de mim um só minuto, enxugando minhas lágrimas e velando meu sono. Ela, apesar de se sentir culpada por tudo que havia acontecido, não ficou tão abalada quanto eu.

Ainda naquela noite me lembrei do Filme “Clube da luta” onde o personagem de Brad Pitt coloca uma arma na cabeça de um cara, pergunta o que ele faz da vida e o que ele queria fazer, diz pra esse cara começar a fazer tudo que sempre sonhou ou ele – a personagem de Brad Pitt- voltaria e mataria o cara. Eu era o cara com a arma na cabeça. Se eu tivesse morrido, nunca teria a oportunidade de pular de paraquedas, de acampar com uma dúzia de Lésbicas, ouvi minha sobrinha dizer que me ama, me apaixonar mais uma vez, ter um gato, ajudar alguém a ser feliz… A lista é grande.

Pode parecer clichê, mas eu realmente senti como se tivesse nascido de novo, com um novo olhar para uma velha vida. Foi preciso um susto como este para eu avaliar os caminhos escolhidos e me aproximar mais de Bianca, que tem demonstrado de todas as formas que quer estar comigo.

Continua…

Related Posts

Leave a comment

Your email address will not be published. Required fields are marked.